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Ricardo Bendito

Ricardo Bendito

Coordenador do Gabinete do Atleta do COP

O que podemos aprender com os atletas olímpicos

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje escreve Ricardo Bendito, coordenador do Gabinete do Atleta, Comissão de Atletas Olímpicos

Ricardo Bendito

Nélson Évora foi campeão do Mundo há 10 anos em Osaka. Foi lá que estabeleceu a sua melhor marca

Patrick Smith/REMOTE

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Estamos acostumados a vê-los competir, a ganhar provas, conquistar medalhas e a subir aos pódios. Mas também a errar, falhar e perder.

São milhões os apaixonados por desporto pelo mundo fora, que acompanham regularmente as suas modalidades e atletas favoritos. E normalmente, todas as análises são efetuadas com base na prestação dos atletas, pelos seus resultados desportivos, elogiando as vitórias e criticando, por vezes em demasia, quando não ganham. No entanto, todo o processo de preparação anterior à competição é ignorado. E é esse trabalho efetuado na sombra que lhes permite competir com os melhores do mundo e serem, eles próprios, dos melhores do mundo no que fazem.

Os atletas são seres humanos como nós, de carne e osso. Então, o que os torna tão especiais? E que lições podemos aprender com eles para nos tornarmos melhores, tanto a nível pessoal como profissional?

Nos últimos anos tenho tido o privilégio de privar de perto com muitos atletas e de verificar que estes desenvolvem, fruto da exigência diária da sua atividade, um conjunto de competências e comportamentos que podemos todos aplicar no nosso dia-a-dia. Neste sentido, seleciono apenas algumas destas características:

A definição de objetivos: É comum ouvirmos falar da importância da definição de objetivos a curto, médio e longo prazo. Objetivos que devem ser ambiciosos mas atingíveis e mensuráveis. Mas quantos de nós realmente o fazemos? Esta é a realidade diária dos atletas, que definem objetivos para a sua carreira, por norma em ciclos de 4 anos, e todo o seu trabalho é efetuado em prol destes objetivos. Com isto, estão constantemente em avaliação, fazendo ajustes para que o principal objetivo possa ser atingido. E acredito que resida aqui parte do seu sucesso;

O foco: São extremamente focados no trabalho a desenvolver para a obtenção dos seus objetivos e cada dia é organizado para que estes possam ser atingidos. Focam-se no essencial e no que conseguem controlar para obter resultados, ignorando fatores de distração;

O insucesso: Todos temos dias maus, alturas em que, por muito que tentemos, as coisas não saem. E com os atletas não é diferente. No entanto, é a capacidade de se levantarem após as quedas que os distingue dos demais. Muitos perdem mais vezes do que as que ganham. E de cada má prestação, retiram aprendizagens para o futuro.

O trabalho: Por muito talentosos que possam ser numa fase mais inicial da sua carreira, só o trabalho árduo lhes permite chegar ao topo mundial. Uma frase motivacional muito em voga refere que o único sítio onde sucesso aparece antes de trabalho é no dicionário. Os atletas sabem bem da veracidade dessa afirmação e…

…dão sempre o máximo: em cada treino e em cada competição entregam-se a 100%. Só assim é possível atingir os resultados ambicionados.

Valorizam o descanso: aspeto tanta vez descurado no dia-a-dia, apesar de fundamental. Os atletas, pelas exigências físicas da sua rotina, sabem bem da importância vital que tem o descanso para a sua performance e implementam adequadas rotinas de sono;

A paixão: pelo que fazem. No recente Encontro Nacional de Esperanças Olímpicas, Nelson Évora referiu que esta é a parte fundamental da carreira de um atleta – e que considero ser aspeto fulcral na vida de cada um. É importante encontrar algo pelo qual somos apaixonadas e dedicarmo-nos a 100% a isso.

Os atletas são referências na sociedade e podem ser uma grande fonte de motivação e inspiração, assim queiramos conhecer todo o processo, não apenas o resultado final. São pessoas normais que pela grande exigência a que estão sujeitos, maximizam o seu comportamento.

Seguindo os seus exemplos, acredito que todos podemos ser melhores no que fazemos, podendo até almejar pertencer à elite mundial naquilo que fazemos.