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Frederico Varandas teve a coragem de enfrentar arruaceiros e energúmenos. Não pode ficar sozinho nesse combate (por Nicolau Santos)

Nicolau Santos escreve sobre o momento atual do Sporting, que vive num clima de tensão constante

Nicolau Santos

Gonzalo Arroyo Moreno / Getty Images

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O que se está a passar no Sporting é o resultado de anos e anos em que o clube foi ficando refém das claques, capazes de fazer e desfazer treinadores e jogadores, mas também de impor a sua vontade e sobretudo os seus interesses económicos aos presidentes e às administrações do clube de Alvalade.

Frederico Varandas teve a coragem de as enfrentar. E não pode ser deixado sozinho neste combate.

Os arruaceiros, que estavam habituados a mandar no Sporting e cujas benesses e prebendas subiram em exponencial com Bruno de Carvalho, não desistem.

Nas assembleias gerais insultam, apupam, gritam – e quando chega a hora das votações perdem sistematicamente por mais de 70% dos votos.

No estádio insultam o presidente e assobiam a equipa.

No pavilhão João Rocha fazem emboscadas, agridem dirigentes e menores.

Já não é só o regresso de Bruno de Carvalho que querem. O que lhes dói é que Frederico Varandas tenha tido a coragem de os enfrentar, de lhes cortar os benefícios claramente exagerados de que desfrutavam e de lhes mostrar que quem manda no Sporting são os sócios e a direção eleita em assembleia geral e não eles.

O combate é duro, duríssimo, para os atuais dirigentes do Sporting e para as suas famílias porque estes energúmenos não tem valores nem princípios. Querem submeter à sua vontade todos os que lhes fazem frente. Daí que peçam insistentemente a demissão de Varandas.

E é por isso que, neste momento, todos os sportinguistas que querem um Sporting limpo destas péssimas influências tem de se unir em torno do presidente, mesmo que tenha tomado decisões erradas e mesmo que a equipa principal de futebol esteja a fazer uma época desastrosa.

Não é isso o que importa. Neste momento, o que é decisivo é saber se o Sporting continuará a ser um clube democrático, com princípios e valores, ou se acabará por cair nas mãos de uma ralé cujo sportinguismo assenta unicamente nos muitos milhares de euros com que vinha a ser beneficiada todos os anos.

Daí que, se houver assembleia geral visando destituir a direção de Frederico Varandas, a resposta nas urnas tem de ser clara e inquestionável. Apoiar o presidente é neste momento decisivo para o futuro do Sporting, mesmo que tenha tomado decisões erradas.

Neste combate contra as claques, contudo, está certíssimo. E só é pena que o Governo e os outros clubes grandes de Portugal não apoiem uma medida urgente para sanear o futebol português: a proibição de claques organizadas, que são um antro de desordeiros, de droga, de marginalidade e de violência.

Em Inglaterra fizeram essa limpeza e o campeonato inglês tornou-se o mais vibrante do mundo. Porque é que em Portugal a mesma medida não há-de resultar?