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Rafael Luís Salgueiro

Rafael Luís Salgueiro

Vogal do Comité Olímpico de Portugal

O desconfinamento desportivo

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje escreve Rafael Luís Salgueiro, vogal do Comité Olímpico de Portugal

Rafael Luís Salgueiro

Cameron Spencer

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Por muito que se vaticine que nada será como dantes, o clube, como célula base do desenvolvimento desportivo, cumpre, e certamente continuará a cumprir, a nobre missão de formação integral do indivíduo, quer social, quer desportivamente.

Porém, neste período terrível de confinamento - onde, naturalmente por questões de enquadramento sanitário, a “elite desportiva” assume o papel de charneira no desconfinamento desportivo, tendo cada federação contribuído para encontrar as melhores soluções com vista a alguma retoma da sua atividade - continua a ser muito incerto o regresso das atividades de formação, afinal a génese de todo o edifício, quer da sua essência, quer da sua própria história.

E, tendo em conta que a formação contínua será sempre o berço e a origem de todos os campeões, é também, no modelo atual, um suporte fundamental para o funcionamento sustentado dos clubes, através da criação de receitas diretas, do fortalecimento dos valores identitários de uma comunidade e do reforço do indefetível “amor à camisola”.

Nos clubes com modalidades que utilizam infraestruturas cobertas - com especial relevo para as piscinas, pelo elevadíssimo custo de manutenção e sustentabilidade desportiva no processo de formação – a situação agudiza-se com grave desequilíbrio financeiro na gestão dos respetivos equipamentos. Até porque, em muitos casos, para garantir os espaços onde a elite deverá reiniciar a atividade, vem associado um aumento significativo dos custos, que não são, de momento, suportados, nem pela formação, nem pelas atividades secundárias ou complementares.

Se para muitos gestores a realização de atividades complementares, como sejam eventos, campos de férias ou atividades de entretenimento, são formas de obter receitas adicionais, a dura realidade, mesmo nos cenários mais otimistas, aponta para uma estagnação nos meses mais próximos.

A exemplo de outros países, será imperativo que se conjuguem esforços no sentido de ajudar a suportar os custos que os clubes continuam a ter com a manutenção da operacionalidade das infraestruturas desportivas, em especial as que albergam escalões de formação. Só deste modo será possível garantir uma reabertura faseada e equilibrada, por forma a que estes cumpram a sua dedicada função.

Neste particular, consideramos que as autarquias devem liderar o processo de apoio aos clubes para suporte dos custos de gestão das instalações, com um claro reforço dos programas de apoio, que já muitos desenvolvem no seu território, e que deverá ocorrer de forma regressiva, diminuindo o financiamento à medida que se vão cumprindo as estratégias faseadas de reabertura das atividades dos clubes desportivos.

Estamos em crer que este será o momento certo para desenvolver políticas territoriais cooperativas, onde defendemos a aplicação do modelo triangular de relação entre a Escola, o Clube e a Autarquia.

Se esta relação ganha particular importância no desenvolvimento de políticas de infraestruturas desportivas, nunca o será menos relevante nas áreas do apetrechamento, da formação, de atividades e programas para a comunidade, entre outras

Para tal, será fundamental reforçar estratégias territoriais, com definição clara de prioridades desportivas e com horizontes temporais consistentes, porque, hoje e sempre o lema continuará o mesmo…

… Unidos seremos mais fortes…!