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Pedro Farromba

Pedro Farromba

Vogal Comissão Executiva COP

E agora que já não é proibido?

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje escreve Pedro Farromba, vogal do COP

Pedro Farromba

Ely Pineiro

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Foram muitos dias fechados em casa, muitas horas de dúvidas e de incertezas passadas em família, antecipando problemas e congeminando soluções, num universo de hipóteses que em nada nos animou.

A maioria de nós passámos estes dias confinados a um registo que não era o nosso, presos a um silêncio social inimaginável, agarrados a uma sensação de “vamos ver” que nunca soubemos, pudemos ou quisemos dominar.

A par da descoberta das variadíssimas plataformas de “chat” que fizeram entrar no nosso léxico palavras como “zoom”, “teams” ou “meet” e que fomos descobrindo ao longo das várias semanas, só houve uma outra palavra que, mais a uns que a outros, passou a ser quase que uma religião, o desporto.

Por vontade própria ou apenas para, momentaneamente, desconfinar do trabalho, da família ou das aulas dos miúdos, fomos fazendo desporto. Uma caminhada, uma corrida, umas voltas de bicicleta ou uns minutos no ginásio caseiro improvisado, todos nós, uns mais que outros, fomos insubmissos ao regime ditatorial da pandemia, e pecámos por momentos nos momentos de desporto que escolhemos.

Mas, e agora que já não é proibido? Agora que já não é preciso sermos uns selvagens arruaceiros que rompemos o bloqueio para correr e respirar ar puro, como vamos fazer agora? Será a nossa vontade suficiente para continuar a correr, a pedalar ou apenas a andar, sem precisarmos da desculpa de furarmos o bloqueio?

Percebemos neste defeso civilizacional que o desporto é parte de nós, faz parte da nossa vida e é um bem maior que deve ser preservado. É tão ou mais importante que a cultura, é tão ou mais importante que a modernização administrativa, é tão ou mais importante que a transição energética, é tão ou mais importante que apenas uma secretaria de Estado. São milhares os que trabalham no sector, milhões o que representa em valor, mas é inquantificável o que o desporto representa em bem-estar, em paz de espírito, na poupança futura no Serviço Nacional de Saúde e, sobretudo, na moral dos portugueses.

Importa, pois, olhá-lo com outros olhos e dar-lhe a importância que tem não só por ser o motor de uma enorme parte da nossa sociedade, mas, e sobretudo, por ter uma importância fundamental no futuro do país e no futuro dos portugueses.

A prática desportiva foi um dos motes que nos fez ultrapassar este longo e difícil período, que nos fez olhar o regresso com vontade e determinação, que nos deu aso a momentos de libertação e que nos vai continuar a dar o prazer de o praticar. Resta agora esperar que, a nível nacional, se possa, de uma vez por todas, debater o importante papel que o desporto tem no nosso País. Reorganizando-o na ótica da sua mais forte afirmação, em conjugação de princípios, valores, regras e sobretudo delineando um caminho que todos, em conjunto, temos de trilhar. Readaptar estruturas, extinguir outras e valorizar o todo que é muito mais que a soma das partes.

Para que não se esqueça. De quê? Da importância dos laços, do outro, da família, dos amigos, dos vizinhos, dos colegas, dos animais

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