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Opinião
Pedro Madeira Rodrigues

Pedro Madeira Rodrigues

Ex-candidato à presidência do Sporting CP

Torço para que Rúben Amorim seja o Klopp ou o Bielsa do Sporting

A opinião de Pedro Madeira Rodrigues, ex-candidato à presidência do Sporting, sobre o atual treinador leonino

Pedro Madeira Rodrigues

Gualter Fatia

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No inicio do ano publiquei aqui um artigo a falar dos meus escapes aos insucessos do Sporting num ano em que no futebol acabámos mesmo por bater o record de épocas sem sermos campeões e do número de derrotas numa época. Nada que surpreenda tal o número de erros feitos e a qualidade do plantel, talvez dos piores de que me lembro em Alvalade.

Falei na altura do Liverpool e do Leeds United, clubes também com uma história recente de insucessos e que, como previ na altura, acabaram finalmente com longos jejuns. 30 anos depois o Liverpool voltou a ser campeão e 16 anos depois o Leeds subiu à Premier League.

Dois clubes que definiram um projeto, muniram-se de recursos financeiros, contrataram os recursos humanos certos, fizeram os adeptos acreditar, aguentaram as primeiras adversidades e ganharam! Apostaram ambos em treinadores carismáticos, grandes homens já com provas dadas e deram-lhes tempo. O resto é história. Em relação a Klopp faltam palavras para o descrever e o maior elogio que lhe posso dar e que me foi contado por quem o contratou para o Liverpool é que em pessoa ainda é bem melhor do que o que vemos na televisão, como se fosse possível. A sua relação com os jogadores é fantástica e fico cansado só de ver o Liverpool a jogar e a pressionar, especialmente nas duas vezes que os vi ao vivo.

Conseguiu tornar em autênticos craques jogadores que pareciam apenas razoáveis e ganhou apesar de investir menos que os principais adversários. Quanto a Marcelo Bielsa conhecido pelo feitio especial e por uma carreira pouco brilhante, nunca tendo tido a possibilidade de dirigir uma equipa dos melhores campeonatos que lutasse por todos os títulos, como exige o tipo de futebol dominador que incute aos seus jogadores. Homem de fé e um pai/pedagogo, tem um enorme coração, capacidade de trabalho única e é um pioneiro a nível tático, referência para grandes treinadores como Guardiola, Pochettino e Simeone.

É obsessivo nos pormenores nas preparações dos jogos e esta sua prioridade só é ultrapassada pela preocupação com o crescimento humano dos jogadores que dirige. Estou muito curioso em ver como lhe corre a vida na muito competitiva Premier League, com a certeza que irá manter a forma personalizada, corajosa e atrevida como põe sempre as suas equipas a jogar. Só tenho pena que não tenha (ainda) cumprido um sonho antigo pois teria o perfil certo para ajudar a levantar o Sporting que aprendi a amar, com princípios e valores, garra, exigência, elevação e ambição.

Quem sabe um dia ... Uma última palavra para o Ruben Amorim que também tenho o privilégio de conhecer pessoalmente e de quem tenho a melhor das impressões. Trouxe uma lufada de ar fresco a Alvalade, alegria e confiança, o que era especialmente importante numa fase terrível que estávamos a passar. Infelizmente ainda o vejo muito sozinho a “pregar no deserto”, carregado pelo peso de um preço de desespero e pelo passado no rival, o que é tanto pior num clube muito dividido e com um espírito derrotista que infelizmente veio ao de cima nos últimos jogos. Torço para que ele seja o nosso Klopp ou o nosso Bielsa mas vai precisar de ainda mais sorte do que a que tem tido e ainda da paciência e apoio dos adeptos.