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Rodrigo Lopes

Rodrigo Lopes

Atleta de judo

O atleta como exemplo

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Rodrigo Lopes, atleta de judo

Rodrigo Lopes

Cameron Spencer

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Nasci no Rio de Janeiro (Brasil), onde temos algumas referências no desporto e também muitos exemplos de talentos que abandonaram os seus sonhos, sonhos esses que ficam em inércia por várias razões - duas que podemos destacar são a falta de oportunidades e a escassez de recursos. Cria-se assim um ciclo vicioso que passa de geração em geração e todos acabam, infelizmente, por ter o mesmo “estilo de vida.”

Na infância, aos 7 anos, iniciei-me no desporto na modalidade de Judo. A avaliação de um Sensei disse que os meus pés são pés de base e que eu teria um futuro promissor na arte oriental.

Aos 12 anos, recebi uma bolsa de estudos para um colégio de referência que se destacava em competições desportivas. Representei-o durante cinco anos, sempre com presenças no pódio.

Conheci muitas pessoas provenientes de uma classe financeira chamada no Brasil de “classe média/alta”, e pude perceber algumas situações, diferenciando valores éticos das questões sociais. Neste período, fui representante da seleção brasileira por alguns anos, sendo campeão brasileiro por quatro vezes e, com 15 anos de idade, conquistei a minha primeira medalha internacional, no Campeonato Pan-Americano.

Próximo de completar 18 anos, viajei para o estado do Rio Grande do Sul com o objetivo de fazer a temporada de treinos, aberto aos visitantes de outros estados e clubes. Foram dez dias de treino e o suficiente para me destacar, o que me proporcionou a contratação por um clube. Assim nascia a minha trajetória profissional.

Foram cinco anos de competições de alto rendimento, aprimorando técnicas. Passei a treinar com atletas que sempre foram referência para mim, Atletas Olímpicos que me renderam uma experiência enriquecedora e a construção de uma “família do Judo”.

Hoje, com 24 anos, viajei por todo o mundo. Tenho morada noutro país e, com muito orgulho, tornei-me um cidadão português que pode seguir o sonho de chegar aos Jogos Olímpicos.

Quero deixar um legado para a nova geração, não somente como atleta, mas também como ser humano, servir de exemplo para as pessoas, principalmente para as pessoas que vieram de onde eu vim. Que eles tenham motivação para conseguir o mesmo, pois ter uma referência das quais se conhecem as raízes e histórias é muito mais importante do que alguém que é distante.

Por fim, deixo a seguinte frase: “Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele pode ser realizado.”