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Sara Catarina Ribeiro

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Atleta de atletismo

Maratona foi uma aposta ganha

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Sara Catarina Ribeiro, do atletismo

Sara Catarina Ribeiro

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Em competição, embora fizesse um pouco de tudo, sempre tive maior aptidão e motivação para distâncias mais longas e, ao longo da minha carreira de atleta, fui progredindo nas mesmas. Tive sucesso nos 10 000m, ao ser medalha de bronze nos Campeonatos da Europa de Esperanças, uma prova de que ainda hoje gosto e na qual irei continuar a apostar. Acho que tenho capacidades para melhorar consideravelmente o meu recorde pessoal.

Com o sonho Olímpico sempre presente, foi exatamente nos 10 000m que tentei a marca de qualificação para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Durante a preparação, tive uma paragem forçada devido a uma lesão, foi uma ‘corrida’ contra o tempo e tentei até à última, mas infelizmente não consegui.

A frustração de não atingir esse meu objetivo fez com que tivesse necessidade de encontrar motivação com novos desafios e outros objetivos e foi então que surgiu a possibilidade de fazer a minha primeira maratona. Seria demasiado cedo? Foi sempre a questão que se impôs.

Em Portugal, a história de grandes maratonistas diz-nos que a maioria dos atletas apostava nesta distância numa fase mais adiantada da carreira. O certo é que não há nenhuma regra escrita ou qualquer estudo nesse sentido, mas uma grande maioria agia quase sempre da mesma forma. Contudo, por um lado, o Carlos Lopes avançou para a maratona com 36 anos e sagrou-se Campeão Olímpico no ano seguinte e, por outro, a Rosa Mota estreou-se na distância com apenas 24 anos e também ganhou ouro (Campeã da Europa) na sua primeira maratona. E ambos têm o fabuloso currículo que todos conhecemos.

Lá fora também temos exemplos vários, basta recordarmos a maratona dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, onde a atleta romena Constantina Tomescu–Dita venceu a prova feminina com 38 anos (era a sua décima maratona), e a prova masculina ganha pelo queniano Samuel Wanjiru, que conseguiu uma marca de recorde Olímpico com 21 anos. Os dois atingiram este grande feito em fases distintas das suas carreiras.

Alguns eram da opinião de que seria demasiado cedo para a minha estreia na maratona, mas eu acredito que esta distância veio na altura certa. Permitiu-me encontrar a motivação que me faltava, definir novos desafios, apaixonar-me pela prova e ainda alcançar a marca de qualificação, em Valência, que me poderá dar acesso aos Jogos Olímpicos de Tóquio, que se iriam realizar já este ano se não tivessem sido adiados. Eu precisava de mudar algo, não podia ficar a lamentar-me por muito tempo e a maratona veio, claramente, atenuar a minha dor provocada pela desilusão de não ter sido atleta Olímpica em 2016.

Acredito que, para me tornar mais competitiva, tenho de ganhar experiência na distância e para tal necessito de mais anos e de várias provas para potenciar todas as minhas capacidades. Mas, sem dúvida, a maratona foi uma aposta ganha e que me deixa mais próxima de cumprir o sonho de competir no maior evento desportivo do planeta.