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Quando o todo é maior que a soma das partes

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Sofia Macedo, Gestora de Marca e Responsabilidade Social do COP

Sofia Macedo

Imagem da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016

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O novo ano letivo que se inicia, por ser um ano atípico, teve de ser objeto de importantes reformulações na tentativa de salvaguardar, tanto quanto possível, o bom curso da formação dos estudantes. Os tempos de pandemia assim o exigem, originando ondas de choque tanto dentro como fora da comunidade educativa. A necessidade de adaptação é, pois, uma realidade que se apresenta a todos sem cerimónias, deixando pouco espaço para hesitações.

Dentro do universo heterogéneo de algumas centenas de milhares de alunos que frequentam o ensino superior, existe uma comunidade daqueles que procuram conjugar o desporto de alto rendimento com a formação académica. A vida destes atletas é já feita de esforço, concentração, resiliência, coragem e determinação, capacidade de lidar com a frustração e, acima de tudo, da vontade de se superar. E é este treino diário, tanto físico como mental, que pode constituir a reserva de energia para a dita adaptação às circunstâncias do tempo presente.

Mais do que nunca, incentivar os atletas interessados em investir na sua formação académica, a par da carreira desportiva, revela-se oportuno. No âmbito do Programa de Responsabilidade Social do Comité Olímpico de Portugal (COP) inscreve-se o apoio às necessidades de Educação, Emprego e Saúde dos atletas que já representaram, ou que se preparam para representar, Portugal nos Jogos Olímpicos. Este compromisso materializa-se nos Planos de Saúde e nas Bolsas de Educação com que se apoiam atletas-estudantes desde 2013.

Mas o comprometimento do COP, no âmbito da Responsabilidade Social, amplia-se com a sua Estratégia de Sustentabilidade alinhada com a Agenda 2020 do Comité Olímpico Internacional (COI) - aprovada em dezembro de 2014 - e com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas - adotada em 2015 pelos estados membros da ONU. É um projeto que, pela sua natureza, é exigente e infinito. Por isso tem sido feito, tanto por parte do COI como da Organização das Nações Unidas, um trabalho no sentido de capacitar as organizações e dotá-las de metodologias para implementação, avaliação e progressão, fundamentais para o desenvolvimento de políticas e ações de sustentabilidade.

A este propósito, no passado dia 11 de setembro, o COI lançou mais um guia integrado no seu programa de sustentabilidade, com o título “Sustainability Management in Sports”. A proposta é desafiante: ajudar a integrar a Sustentabilidade em todas as dimensões das organizações desportivas, com benefícios tangíveis e relevantes.

Na verdade, o que se pede a todos é que o tema da Sustentabilidade faça parte da organização intrínseca, do dia-a-dia. No futuro, a Sustentabilidade talvez passe a deixar de ser tema pois fará parte do ADN de qualquer construção humana.

O desafio que se coloca à Humanidade é imenso, mas é também imensa a vontade de muitos que acreditam que é na ciência, na cooperação, na criação de políticas eficazes e na mobilização de todos, que se poderão encontrar caminhos de entendimento e evolução.

Se à semelhança do Movimento Olímpico, que tem a visão de “construir um mundo melhor através do desporto”, cada organização tiver a sua visão de como contribuir para um mundo melhor, todos juntos somarão muito mais do que a soma das partes.