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Filipe Jesus

Filipe Jesus

Departamento Missões e Preparação Olímpica do COP

Desporto é muito mais do que os resultados

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Filipe Jesus, do Departamento de Missões e Preparação Olímpica do COP

Filipe Jesus

FABRICE COFFRINI/Getty

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“Um país pode considerar-se realmente desportivo quando a maior parte dos seus habitantes sente o desporto como uma necessidade pessoal”

Pierre de Coubertin

Talvez por ser fruto de uma mãe e de um pai licenciados em Educação Física que desde pequeno sonhava em trabalhar no desporto.

Minha mãe conta-me a história que todos os anos obrigava o meu irmão a escolher um desporto até que lá encontrou o seu e pratica há mais de 20 anos. Comigo era ao contrário... podia praticar no máximo dois, e nem mais um, porque caso contrário ficava sem tempo para os estudos. Não fossem estes limites, por mim passava os dias a praticar desporto e a descobrir novas modalidades!

Conselhos sábios com que as mães nos guiam e que hoje me possibilitam trabalhar no Comité Olímpico de Portugal, realizando o sonho de trabalhar no desporto e para o desporto.

De quatro em quatro anos, desconhecendo todas as outras Missões em que Portugal participa honrosamente, entre Jogos Olímpicos (o maior evento desportivo à escala mundial), alguns amigos gostam de questionar – e medalhas? Sendo a minha resposta, conquistámos uma medalha, dez diplomas Olímpicos (classificações nos oito primeiros) e 18 classificações nos 16 primeiros, entre cerca de 11 000 atletas participantes de 206 Comités Olímpicos Nacionais. Aproveito sempre a oportunidade para concluir o tema com a seguinte questão – consegues dizer-me outro sector da nossa sociedade em que Portugal atinge, à escala global, estes resultados de excelência?

Antes dos Jogos Olímpicos é também muito comum ouvir a seguinte questão – quantos Atletas já fizeram os mínimos para os Jogos Olímpicos? Mínimos? Que expressão tão exígua para descrever um feito gigantesco que só está alcance de muito poucos e que resulta do trabalho de, pelo menos, 1430 dias (3 anos x 365 dias + 11 meses), a anteceder cada edição de uns Jogos Olímpicos.

Atletas esses que são referências nacionais e exemplos pela capacidade de lidar com a adversidade, pela capacidade de decidir mais rápido perante o risco, por serem extraordinariamente resilientes, com um incrível espírito de sacrifício e força de vontade, persistentes, empenhados, focados nos objetivos finais, habituados à pressão, determinados e criativos.

Quantas empresas não gostariam de recrutar e ter nos seus quadros trabalhadores com estas características?

Não descurando o facto, estudado e comprovado, de que o aumento dos indicadores de atividade física e desportiva têm associados ganhos de produtividade, influenciando positivamente o resultado económico global e uma redução significativa nas despesas de saúde e dos níveis de absentismo das populações.

O desporto é muito mais do que alcançar resultados em Jogos Olímpicos, Campeonatos do Mundo ou Campeonatos da Europa. A atividade física e desportiva é um fator cultural indispensável na formação integral das pessoas, podendo através dela combater o racismo, criar uma sociedade melhor e mais saudável, contribuindo para a paz mundial e para o entendimento entre todas as nações.

Tal como quando era criança sonhava em trabalhar no desporto e para o desporto, sonho com um País que valoriza socialmente o desporto... Um dia chegaremos lá!

“O mais importante nos Jogos Olímpicos não é vencer, mas sim participar, assim como o mais importante na vida não é o triunfo, é a luta. O essencial não é ter vencido, mas sim ter lutado bem.”

Pierre de Coubertin