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Catarina Monteiro

Catarina Monteiro

Adjunta do Chefe de Missão a Tóquio 2020

Tóquio 2020: um Novo Paradigma no Olimpismo

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Catarina Monteiro, adjunta do Chefe de Missão a Tóquio 2020

Catarina Monteiro

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O dia 24 de março de 2020 marcou a história do Olimpismo, infelizmente por motivos que ninguém esperava. Devido à pandemia global do vírus Covid-19, os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados para 2021, uma decisão inédita anunciada pelo Governo Japonês e pelo Comité Olímpico Internacional (COI). Adiar um evento com a dimensão dos Jogos Olímpicos tem inevitáveis custos associados, para o país anfitrião, para o COI mas também para os Comités Olímpicos Nacionais, entidades responsáveis por organizar a participação dos seus países no maior evento desportivo mundial.

Ao longo dos meus 20 anos de carreira no Comité Olímpico de Portugal (COP), tive o privilégio de poder integrar 20 missões olímpicas portuguesas (entre Jogos Olímpicos, Jogos Olímpicos da Juventude, Festivais Olímpicos da Juventude Europeia e outros eventos sob a égide do COI e dos Comités Olímpicos Europeus).

Todos estes anos de experiência deram-me uma base sólida para a resolução de muitos problemas e peripécias inesperadas antes e durante os eventos. No entanto, o adiamento de Tóquio 2020 tem gerado muitos sentimentos de incerteza e novos contratempos todos os dias.

O desafio de preparar e gerir uma missão nacional a uns Jogos Olímpicos é uma importante e complexa responsabilidade. O trabalho, dedicação e energia despendidos por um Comité Olímpico para garantir que os Atletas (e Oficiais que os acompanham) estão providos das melhores condições de viagem, alojamento, alimentação, transportes, treino, apoio médico, equipamentos e até burocráticas, é fundamental para o sucesso de uma Missão Olímpica.

Aliar as múltiplas funções que se desempenham ao sentido de responsabilidade que é representar um país e não somente uma instituição (e, no caso dos Atletas, uma modalidade ou um clube) torna-se algo só alcançável quando estamos todos a trabalhar ao mais alto nível e tendo por base uma gestão baseada em relações de confiança. Isso será ainda mais importante agora, quando nos deparamos com oscilações no nosso condicionalismo diário.

Os Jogos Olímpicos são um momento fantástico para redefinir o pensamento no nosso trabalho e aprender que, quando utilizamos os métodos e princípios dos campeões, fazemos sempre melhor.

Um pouco por todo o mundo surgem movimentos defensores de que os Jogos de Tóquio, que se realizarão entre 23 de julho e 8 de agosto de 2021, podem carregar uma simbologia forte. Espera-se que, até lá, o mundo tenha vencido a pandemia e os Jogos Olímpicos possam representar a união, solidariedade, superação e paz após um período duro para a humanidade.

Será, provavelmente, um dos maiores reptos do Desporto mundial e o COP tudo fará para que a Missão nacional possa dignificar o país e todos os portugueses.