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Rui Gomes da Silva

Rui Gomes da Silva

Candidato à presidência do Benfica

O pedido de Rui Gomes da Silva para as eleições do Benfica: votemos todos a 28

Rui Gomes da Silva, candidato à presidência do SL Benfica, pede a todos os sócios que vão votar nas eleições marcadas para quarta-feira, dia 28 de outubro, e que não tenham "lealdade" com "quem nos mata o clube"

Rui Gomes da Silva

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Sócio 1812 do Sport Lisboa e Benfica, já vivi mais de uma dezena de atos eleitorais neste clube com cerca de 270 mil sócios e volume de negócios atual em torno dos 200 milhões de euros. Esta é a quinta eleição em que participo numa candidatura, a primeira na qualidade de candidato a presidente dos Órgãos Sociais. Desde João Vale Azevedo, contra quem me candidatei em 1997 na lista de Luís Tadeu, e que acabaria por sair nas eleições de há exatamente 20 anos, nunca como hoje foi tão relevante que os sócios do Benfica exerçam o direito de voto.

Os desafios económicos e sociais trazidos pela pandemia resultarão numa realidade desportiva mais frágil que, a crer nas previsões dos economistas, será das mais frágeis das que atravessámos em 116 anos de história. O Governo português inscreveu no Orçamento do Estado uma previsão de quebra de 8,5% do PIB. Os cofres dos clubes de futebol já estavam vazios na componente das receitas relevantes de bilhetes, lugares cativos e camarotes, e com a quebra da riqueza do país será crescente a dificuldade de venda de merchandising. Por outro lado, as receitas de televisão caíram devido à pandemia e, mais concretamente, à não entrada na Liga dos Campeões. Em simultâneo, o Benfica despendeu 100 milhões de euros em passes de jogadores este ano.

Ao contrário do que previam as autoridades de saúde e o Governo há meia dúzia de semanas, já não se elimina liminarmente a eventualidade de termos de regressar ao confinamento, o que seria trágico para o desporto e as finanças dos clubes. Quando a economia retrai num ritmo típico de tempos de guerra, a tempestade se adensa e a bonança está dependente de um contra-relógio dos cientistas em busca de uma vacina contra a Covid, temos tudo a temer.

É este o cenário em torno das eleições para os Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica, as quais foram antecipadas já para esta quarta-feira, 28 de outubro. A votos vão dois projetos, um com as variantes incumbente e tecnocrática, o segundo, o que encabeço, com respeito pelo passado, reformulação do presente e preparação de um futuro sustentável para o Sport Lisboa e Benfica.

A alegada situação financeira sólida é desmentida pela necessidade de recorrer a uma linha de crédito antiga de 28 milhões de euros (do Novo Banco) e ao reforço do último empréstimo obrigacionista para 50 milhões de euros. O atual presidente e recandidato afirma que será necessário recorrer a mais dívida, sabendo que o dinheiro tenderá a ficar mais “caro” com o agravar da situação financeira e que os canais de vendas milionárias de jogadores estão a secar, como comprova o facto de o Benfica ter-se limitado a uma venda significativa este ano, e logo de um jogador que nos era apresentado como o capitão para muitos anos, Rúben Dias.

Não admira, pois, que se adense a suspeita de que uma das primeiras opções estruturais na vitória de um dos outros dois candidatos seja a venda da maioria do capital social da SAD do Benfica, perdendo o clube o controlo sobre a sua sociedade anónima desportiva. Uma situação como a que o Valência viveu, e que culminou há uns meses na incapacidade de pagar salários.

Os sócios do Benfica terão de decidir se é este o Benfica que querem, e que as listas A e B oferecerão. E nessa sua missão, que é a mesma, mas com roupagens distintas, cabe ainda a colocação dos jogos “caseiros” do Benfica num canal que não a BTV (Sport TV, certamente), a venda dos melhores jogadores em janeiro – o treinador lamentou logo após o jogo na Polónia que já se estava a preparar para a venda do jogador que mais se destacou, Darwin Nuñez, acabado de chegar há dias ao Benfica. Também recente no Benfica é o defesa central que o Jorge Jesus considerava terceira escolha, após dois jogadores que, somados, teriam custado os mesmos 15 milhões de euros que se aplicaram neste atleta de 32 anos. Mas, tal é a ausência de liderança para lá do gabinete do treinador/presidente, este jogador atuou como capitão de equipa quando ainda nem meia dúzia de jogos tem disputados no Benfica.

“O fraco rei faz fraca a forte gente”, escreveu o autor de “amor é fogo que arde sem se ver”. E que, adaptando ao Benfica, e mais concretamente às suas finanças, “é ferida que dói, e não se sente” – ainda. Para dia 28 espero que os sócios não tenham com quem nos mata o clube, lealdade. Que não queiram estar presos por vontade a um de dois projetos que são duas faces da mesma moeda. E que, em consciência, votem no projeto do ecletismo (com regresso do ciclismo e aposta imediata em títulos europeus em quatro modalidades e também no futebol feminino), da formação para reter e não para vender à primeira oportunidade, e do sonho de todos nós, que de pés assentes na terra ousamos sonhar com um título de campeão europeu. Porque quero que os meus filhos sejam do Benfica, enquanto os outros querem o Benfica para os seus filhos, digo que o Benfica é nosso, dos sócios e adeptos.

Rui Gomes da Silva: “Jorge Mendes goza com a cara do Benfica e manda em Vieira”

Chega à entrevista com todos os cartões de sócio do Benfica na mão (e são muitos, é afiliado praticamente desde o nascimento) e, na lapela, um alfinete do símbolo, que era do pai. “É a primeira vez que o uso.” Aos 62 anos, Rui Gomes da Silva, antigo vice de Vieira e, nos últimos anos, o seu mais vocal crítico, candidata-se porque o Benfica “é um projeto desportivo”, e não “um negócio”, e com a certeza antiga de que o clube tem de lutar pela Champions
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