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Joana Pratas

Joana Pratas

Atleta olímpica de vela

O sonho olímpico: a importância das referências no desporto

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Joana Pratas, atleta olímpica de vela

Joana Pratas

Rosa Mota conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1988, em Seul

David Madison

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Com tradições na família, a Vela entrou na minha vida quando, em 1988, tinha apenas nove anos. Até aos 15, o meu percurso foi feito na classe Optimist, da qual passei depois para a classe Europe, embarcação que me levou a três Jogos Olímpicos: Atlanta 1996, Sydney 2000 e Atenas 2004.

Desde muito cedo que os Jogos Olímpicos ocupavam um lugar cimeiro. Quando em 1988 vi a Rosa Mota vencer a maratona em Seul, disse aos meus pais que um dia também queria representar Portugal na mais importante prova desportiva do planeta. A ingenuidade da infância fazia-me sonhar, até porque conseguir uma presença olímpica estava reservado a pessoas muito especiais e eu, no fundo, sentia-me apenas uma rapariga normal.

Mas, apesar de ter consciência da muito difícil tarefa, permaneci firme e não parei nunca de treinar. O esforço compensou em 1996. Com apenas 17 anos, concretizava o meu sonho de criança e entrava pela primeira vez no Estádio Olímpico, representando Portugal. É difícil descrever por palavras aquele momento único e absolutamente extraordinário. No 100.° aniversário dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, a letra do hino falava sobre o Poder do Sonho. Eu fui uma das 100 mil pessoas a assistir a Céline Dion cantar:

“Há tanta força em todos nós

Cada mulher, criança e homem

É no momento em que pensas que não consegues

Que descobres que consegues”

Esta máxima acompanhou-me nos anos seguintes, primeiro rumo a Sydney 2000 e depois em Atenas 2004. Pelo meio, várias lesões nos joelhos, mas, com apenas 25 anos, tinha concretizado por três vezes o meu sonho de criança.

Joana Pratas nos Jogos Olímpicos de 2000

Joana Pratas nos Jogos Olímpicos de 2000

Neal Simpson - EMPICS

Ao longo de 12 anos, tinha evoluído na alta competição uma criança maravilhada com a medalha de Rosa Mota. Não tivesse eu visto tal momento tão inspirador e o meu percurso desportivo teria sido muito diferente.

VALORES QUE FICAM

Numa sociedade com dificuldade em destrinçar e preservar valores, o Espírito Olímpico representa uma grande referência para todos: crianças e jovens, mas também para adultos. E os atletas Olímpicos, tendo passado por toda a experiência, podem e devem ter um papel fundamental na nossa sociedade. Através da partilha de conhecimentos, de sentimentos, de momentos que nos moldaram para sermos melhores seres humanos, com valores tão caros a Pierre de Coubertin, como Excelência, Amizade e Respeito.

A EXCELÊNCIA significa “dar o seu melhor”, no jogo ou na vida. A ideia principal não é a comparação com o outro, mas, sobretudo, alcançar as metas pessoais com determinação e esforço.

A AMIZADE reporta-se à construção de um mundo melhor e mais pacífico, através da solidariedade, do espírito de equipa, da alegria e do otimismo.

O RESPEITO é o princípio ético orientador de todos os participantes em Jogos Olímpicos. Inclui respeito por si mesmo e pelo seu corpo, respeito pelo outro, pelas regras e meio ambiente.

Os Valores Olímpicos são fundamentais para termos uma sociedade melhor e o atleta Olímpico tem um papel determinante na sua divulgação e sensibilização. É o que procuro fazer, sempre.