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Pedro Roque

Pedro Roque

Diretor desportivo do COP

Lista de desejos (desportivos) para 2021

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Pedro Roque, diretor desportivo do COP

Pedro Roque

BEHROUZ MEHRI

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Oito de janeiro de 2022

O ano de 2021, que agora findou, foi bem mais duro do que se previa, mas, como se costuma dizer, em boa verdade tornou-nos mais fortes e unidos!

Depois da euforia do início do ano, com a chegada da vacina, rapidamente voltámos à realidade quando percebemos que este complexo processo iria ter altos e baixos e a tão desejada imunidade de grupo iria levar mais tempo a conseguir do que seria desejável. Levou muito tempo, é verdade, mas finalmente conseguimos!

O desporto voltou a ser o que era, com tudo o que de bom ele representa. Desde março de 2020 passaram-se quase dois anos que pareceram uma eternidade...

Depois de tantas dúvidas, contingências, dificuldades em cumprir o processo internacional de qualificação e do seu adiamento, os Jogos Olímpicos de Tóquio foram um inegável sucesso. Foi a primeiro encontro presencial de todos os países do planeta desde o início da pandemia, ficando claro o papel único e insubstituível do desporto e dos valores olímpicos na união entre os povos e na paz mundial. Apesar de todas as limitações, o Mundo uniu-se em Tóquio numa icónica celebração da humanidade que ficará seguramente nos anais da História Universal. Foi um importante ponto de viragem na árdua guerra contra este inimigo invisível.

A participação da nossa Missão acabou por ter um impacto muito grande, talvez até maior do que inicialmente se previa. É verdade que o excelente conjunto de resultados que obtivemos muito ajudou, mas a “onda” nacional de apoio aos nossos atletas, que envolveu literalmente todo o país, tocou todos os que, a mais de 11.000 Km de distância, defenderam as nossas cores com tudo o que tinham, retribuindo ao povo português numa altura tão difícil para todos. Sentiu-se um abraço virtual, mas que, de tão genuíno, forte e intenso, se tornou real.

Os nossos “heróis” acabaram por ser os melhores promotores possíveis dos mais nobres valores do desporto. Depois de duas épocas desportivas de fortíssimas restrições, sobretudo entre crianças e jovens, privados há tanto tempo da prática em inúmeras modalidades, a prestação e a generosidade dos nossos atletas conseguiram inspirá-los de uma forma fantástica. Foi, sem dúvida, um sinal essencial para o regresso de centenas de milhares de jovens ao desporto.

Para além desta comunhão nacional à volta dos nossos atletas, acima de tudo foi revigorante ver o reconhecimento social do papel formativo, educativo e de promoção da saúde que só o desporto e a atividade física permitem. Esta invulgar situação que vivemos acabou por sensibilizar a população portuguesa, mas sobretudo os órgãos de decisão, para um extenso debate nacional conducente à valorização desta área, já consubstanciado no orçamento de estado para este ano e nas recentes opções políticas que o sustentaram.

Há coisas que só se conseguem valorizar na sua ausência e esta foi uma delas. Na iminência de tantas organizações desportivas falirem e fecharem portas, foram as comunidades que, percebendo a sua vital importância, acabaram por salvar inúmeros clubes, entidades sem fins lucrativos, cujo papel os torna estruturantes a nível social.

Os milhares de treinadores, técnicos e profissionais relacionados com a atividade física e desportiva que acabaram por ficar sem sustento, ou tiveram que procurar outras atividades profissionais, têm agora uma nova perspetiva de retoma. Muitos, felizmente, já voltaram ao ativo. Para os restantes, esperemos que não seja demasiado tarde. Todo este conhecimento e experiência acumulados seriam perdas enormes que demorariam anos, eventualmente décadas, a recuperar.

Hoje já são raras as limitações à prática desportiva a nível global e o calendário nacional e internacional voltou praticamente ao normal. Foi inesquecível a emoção no regresso generalizado aos recintos desportivos de todos aqueles que amam o desporto. Que saudades da excitação da competição, dos desafios e das conquistas individuais e coletivas. Da vontade de constante superação. Das imagens, dos sons, dos cheiros, dos rituais tão característicos de cada uma das modalidades. Da paixão do público nas bancadas. Do sorriso das crianças e jovens na prática desportiva!

Bem hajam todos os que salvaram este bem tão precioso a que chamamos desporto!

A todos, os desejos de um excelente ano, com muita saúde!