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Pedro Farromba

Pedro Farromba

Vogal Comissão Executiva COP

Que futuro para os desportos de inverno?

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Pedro Farromba, vogal da Comissão Executiva do COP

Pedro Farromba

BARBARA GINDL

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Vivemos tempos difíceis, na saúde, na economia, na vida social e também no desporto.

A perda de atletas federados, a inexistência de políticas públicas que incentivem a prática desportiva, a quase total ausência de municípios que invistam no desporto e, sobretudo, as consequências que tudo isto vai ter na saúde de uma geração que já vivia sentada em frente a um ecrã poderão ser dramáticas, se nada for feito em contrário.

Não vai ser fácil recuperar do que estamos a viver, mas tudo temos de fazer para o conseguir. Não está apenas em causa o conceito teórico da nova realidade tecnológica, está em causa o futuro de uma geração.

Os desportos de inverno, nomeadamente os de neve, têm lutado face ao flagelo do aquecimento global, o que tem obrigado ao adiamento ou mesmo anulação de muitas competições em Portugal e por todo o Globo. Novas latitudes têm sido testadas - bem como novos países com realidades políticas duvidosas - para receber grandes eventos mundiais. A par desta realidade, o desenvolvimento tecnológico tem permitido criar equipamentos que conseguem produzir neve a temperaturas mais elevadas e, por consequência, criando condições melhores para a prática das modalidades de neve.

O caráter resiliente do povo português tem feito com que saibamos lutar, a todo o tempo, contra as adversidades e, assim, criar novas e mais inteligentes soluções.

Embora 2021 vá ser um ano muito difícil, será com toda a certeza um ano de grandes oportunidades surgidas, é certo, de uma crise que se vem instalando, mas também dos muitos milhões que se esperam começar a chegar de Bruxelas. Assim, e voltando aos desportos de inverno, é este o momento de consagrar em Portugal as modalidades de gelo com uma aposta clara e significativa na construção de infraestruturas que permitam o desenvolvimento da prática desportiva de modalidades para as quais Portugal está talhado.

Da nossa parte não desistimos nem nos alheamos da luta pelo futuro. Estou certo que as apostas que se vão fazer já em 2021 serão, elas próprias, base para o desenvolvimento desportivo, mas também vão fazer parte de mais um fator de atração turística do nosso País.

Certos que sozinhos nada conseguiremos, importante realçar a enormíssima importância que os organismos públicos centrais vão ter neste processo, sobretudo a dos municípios. É neles que tem de recair a visão de gestão territorial que diferencie e impulsione outros organismos, públicos e privados, a seguir o mesmo caminho.

Este é, pois, um tempo de limpar as lágrimas e levantar a cabeça, erguendo o pescoço face ao futuro. O movimento desportivo pode e tem de ser um parceiro do Governo, dos governos centrais e municipais, na luta por um futuro mais promissor. Da minha parte, acredito que o esforço da luta será mais recompensador se for feito por todos, num mesmo sentido, fixando-nos num bem maior. As próximas gerações não nos perdoarão se não erguermos os braços e comprarmos esta luta.