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Opinião

Ana Silva

Gestora de Comunicação do COP

O desporto, a arte que une todas as outras

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Ana Silva, gestora de comunicação do COP

Ana Silva

Adam Pretty/Getty

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Sempre soubemos que existem sete artes porque o cinema é frequentemente chamado de “a sétima arte”, mas por vezes não conseguimos enumerar todas as outras seis. E sabia que até já existem outras artes com direito a numeração? Depois de Ricciotto Canudo ter estabelecido em 1912 o cinema como a “sétima arte”, muitas foram as artes que se juntaram a este elenco. Pintura, escultura, arquitetura, dança, música, literatura, cinema, televisão, banda desenhada, jogos eletrónicos e arte digital estão na lista das artes numeradas. E o que é que todas estas artes têm em comum? À partida são uma técnica, atividade ou habilidade produzida pelo ser humano. Mas também se ligam pela estética, emoção, beleza, criatividade, dedicação e, por vezes, até por nascerem num rasgo de génio.

É verdade que o desporto não entra na numeração clássica, nem na sua versão mais moderna. Não é a “primeira arte”, nem a “oitava arte”, nem a “décima segunda arte”. Mas se as outras artes celebram o movimento, o volume, o espaço ou o som, porque não celebrar o desporto como a arte que une todas as outras? Tanta é a proximidade entre o desporto e as artes que entre 1912 e 1948 existiram competições de arquitetura, escultura, literatura, pintura e música... nos Jogos Olímpicos. Se hoje não imaginamos uma competição Olímpica de pintura ou escultura, a verdade é que as houve. O próprio fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna, o Barão Pierre de Coubertin, ganhou a medalha de ouro com o poema “Ode ao Desporto”. Se no início do século passado desporto e artes andavam de mãos dadas, então onde perdemos essa ligação? E qual o estado da arte?

Com mais um período de confinamento, e este ainda sem fim à vista, a prática desportiva volta a ficar prejudicada. Os ginásios, academias, pavilhões, piscinas e similares estão novamente encerrados. As Seleções Nacionais e a 1.ª divisão sénior continuam com a sua atividade salvaguardada, mas o que acontece aos milhares de jovens que, de um dia para o outro, viram os seus treinos parar, as suas competições suspensas, sem prazo de retoma? E a 174 dias da Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o que podemos pedir aos nossos atletas já qualificados e àqueles que continuam a ver sucessivos adiamentos das provas que lhes podiam garantir a qualificação? Como arrumar os sonhos e expectativas dos artistas-atletas de exibirem os seus feitos, no maior palco desportivo do mundo?

O movimento desportivo nacional está unido e mantém-se forte. Resiliente, empenhado e disponível para fazer parte da solução. E da vida das pessoas. E que resposta cada um de nós pode dar? Lamentar os estudos que nos colocam na cauda da Europa em índices de atividade física não é suficiente. Partilhar a nossa preocupação nas redes sociais não resolve o problema. É preciso sair de casa, correr, caminhar, mexer, escutar o corpo, sentir como se adapta ao exercício e usufruir do momento. Afinal, este é o momento em que fazemos parte de uma arte maior. Gostamos de ouvir música, ler um livro, ver um filme, apreciar um quadro ou uma escultura. Se as artes fazem falta para alimentar a alma, o desporto faz falta para alimentar também um corpo que foi feito para o movimento.

Podemos não conseguir compor uma ópera – mas podemos correr. Podemos não saber planificar uma casa – mas podemos nadar. Podemos não conseguir esculpir uma estátua – mas sabemos caminhar. Temos dentro de cada um de nós um artista e a arte faz parte das nossas vidas. Estamos Juntos Pelo desporto!