Tribuna Expresso

Perfil

Opinião
José Manuel Araújo

José Manuel Araújo

Secretário-geral COP

Em Portugal, zero para o Desporto

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve José Manuel Araújo, secretário-geral do COP

José Manuel Araújo

Miguel Pereira

Partilhar

A grave crise que vivemos tem tido efeitos fortíssimos no Desporto desde a primeira hora: no 1º confinamento, a atividade esteve praticamente parada, com exceção dos treinos dos atletas de alto rendimento, mas ainda assim com muitas dificuldades pelo facto de a grande maioria das instalações desportivas não reunir as condições sanitárias adequadas.

Depois, iniciou atividade a única liga profissional, após um acordo geral entre Governo, Federação, Liga e Clubes, deixando a esmagadora maioria das modalidades e, especialmente, toda a formação de fora.

Já nessa altura todo o movimento associativo insistia que era preciso salvar os Clubes, mas nada era feito, quando noutros países europeus eram anunciadas medidas para atenuar os efeitos da pandemia.

Em Portugal, zero para o Desporto.

Veio o Verão, alguma acalmia na pandemia, a abertura da atividade económica, mas o desporto de formação sempre de fora de qualquer retoma, que se confinou ao escalão sénior.

Quando havia condições para dar aos Clubes o mesmo tratamento que se preparava para as Escolas – abertura, porque os jovens eram de menor risco -, muito pouco se fez para além da permissão de treinos com as distâncias necessárias.

Para a Formação, zero.

Entretanto, por toda a Europa, os atores políticos responsáveis prosseguiram com mais iniciativas e medidas financeiras de apoio direto a uma atividade que envolve um número muito significativo de profissionais e representa uma fatia relevante do PIB da União Europeia e, naturalmente, de Portugal.

Assim, surgiram Resoluções, Recomendações e muitos documentos de Parlamentos que instaram os Governos a tomar medidas concretas para salvar o Desporto. A ação fiscalizadora da atividade política do Governo, uma das principais missões dos Parlamentos, funcionou em muitos países da União Europeia no ano de 2020.

Em Portugal, nada.

O Parlamento Europeu foi dos primeiros a instar esse apoio, seguiram-se muitos outros, e a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, através da Subcomissão de Desporto e Juventude, presidida pelo Deputado Carlos Gonçalves, prepara-se para aprovar uma Resolução no mesmo sentido.

No dia 2 de fevereiro foi publicada a Resolução da Assembleia da República nº 29/2021, que recomenda ao Governo que “crie um fundo especial de apoio ao desporto, para apoiar os clubes e associações desportivas em dificuldades financeiras devido ao impacto da pandemia da doença COVID-19”, uma proposta que o Comité Olímpico de Portugal já tinha, exaustiva e fundamentadamente, feito ao Governo em maio de 2020.

Antecipando esta publicação em Diário da República (uma vez que a Resolução já tinha sido aprovada em dezembro de 2020), o Secretário de Estado da Juventude e Desporto anunciou que estava a preparar formas de obter esse Fundo…

No dia 5 de fevereiro foi publicada a Resolução da Assembleia da República nº 54/2021, que recomenda ao Governo que “promova uma ampla auscultação das entidades do associativismo desportivo para, conjuntamente com a Direção-Geral da Saúde, trabalhar as normas e condições para a prática desportiva” e ainda que “assegure apoio ao movimento associativo (leia-se especialmente Clubes) para a retoma gradual e segura das atividades.”

Acordámos, Portugal?