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Opinião
Pedro Madeira Rodrigues

Pedro Madeira Rodrigues

Ex-candidato à presidência do Sporting CP

9/10: hoje e há quatro anos (uma reflexão sobre o Sporting e um agradecimento a Amorim)

Pedro Madeira Rodrigues, candidato à presidência do Sporting há quatro anos, reflete sobre a evolução do Sporting desde a saída de Bruno de Carvalho e aproveita para agradecer a Rúben Amorim

Pedro Madeira Rodrigues

Gualter Fatia/Getty Images

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9/10 são os pontos que o Sporting tem de avanço sobre os seus mais diretos perseguidores e foi também a % de votos que recebi faz hoje quatro anos nas eleições com Bruno de Carvalho. Muitos me têm perguntado o que levou um completo desconhecido do grande público, com uma vida estável e sossegada a enfrentar alguém no auge da popularidade, que quase tinha sido campeão na época anterior, tinha trazido o “melhor treinador do mundo” diretamente do rival e tinha consigo uma arrasadora máquina de propaganda e mentira. A resposta é simples: porque não podia ficar de braços cruzados a assistir à destruição do meu clube e também porque nenhum dos “conhecidos” arriscou avançar com medo não apenas de uma provável derrota estrondosa como também até físico.

Protagonizei então voluntariosamente há quatro anos um projeto alternativo a Bruno de Carvalho, acompanhado por um conjunto de corajosos leões e mostrámos na altura certa, quando muito poucos se apercebiam do que estava a acontecer ao Sporting, que havia outro caminho que não nos teria conduzido até onde chegámos.

Olhando para trás só posso estar muito agradecido aos que arriscaram dar a cara comigo e àqueles que, não dando a cara, deram o seu voto, mostrando inconformismo com o rumo do afastamento dos nossos valores, até por exemplo com a retração na aposta na formação. Pior que tudo, estávamos nessa altura conformados com uma, quase inédita no nosso clube, lógica de presidencialismo centralizador numa tentativa de perpetuação de poder, usando todos os meios sem qualquer vergonha ou escrúpulo. Os ataques aos jogadores e treinadores, aos “sportingados”, à comunicação social, etc. faziam parte duma estratégia de poder totalitário. A nível financeiro estávamos também a caminhar para o desastre. Para tudo isto alertei oportunamente, mas infelizmente não fui capaz de parar na altura este movimento que quase acabava com o Sporting e que deixou marcas e divisões que não sei se algum dia serão saradas.

A derrota foi pesada e fiquei pessoalmente prejudicado na minha vida profissional. Fui de alguma forma confortado mais tarde pelo embate de quase todos com a realidade, com pena no entanto pelo que o clube teve que passar mais alguns meses. A nota alta da campanha foi aquele debate que tivemos num ambiente bem hostil que estranhamente só me deu mais força. Acima de tudo ficaram os vários amigos que ainda hoje mantenho e uma grande aprendizagem para a vida.

ANDRÉ KOSTERS/Lusa

Para evitar o regresso ao passado e no meio de algum desnorte de Frederico Varandas que me deixou angustiado perante um possível regresso ao passado, valeu-nos há um ano uma contratação de altíssimo risco que, tal como a esmagadora maioria dos sportinguistas, critiquei na altura pelas verbas envolvidas, mas que se veio a revelar acertada.

Faz hoje exatamente um ano em que em troca de mensagens com um dos protagonistas desta contratação falei de uma luz ao fundo do túnel mas sinceramente nunca pensei que tudo estivesse a correr tão bem. Caso tivesse corrido mal hoje ou em breve teríamos provavelmente um qualquer novo Bruno de Carvalho (com o próprio na SAD por exemplo) a liderar o clube, só que, desta vez, seria mais inteligente e hábil na tentativa de perpetuação no poder.

Só por isso tenho tanto para agradecer ao Rúben Amorim e à sua equipa porque estão a fazer muito para que o caldo cultural que, por exemplo, originou o ataque a Alcochete, seja definitivamente erradicado do nosso clube. Sermos campeões este ano será um passo muito importante, mas não chega. Será preciso cimentar esta liderança, o que exigirá muito de todos os sportinguistas de boa vontade, até pela força dos nossos principais rivais, que não se conformarão, nem tão pouco alguns que continuam a ansiar pelo regresso de Bruno de Carvalho.

Acabo com uma última palavra sentida para a Maria José Valério, voz do nosso clube, que ontem nos deixou.