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Opinião

O desafio olímpico do andebol

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje escreve Ricardo Andorinho, antigo internacional de andebol

Ricardo Andorinho

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT

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A única competição que me fez sonhar enquanto Atleta foi a maior e melhor manifestação desportiva realizado pelo Homem: os Jogos Olímpicos.

Enquanto internacional português, na modalidade do Andebol, habituei-me desde cedo ao ambiente competitivo nacional e à aprendizagem contínua do que era poder estar em ambientes de alta competição, rodeado dos melhores Atletas nacionais desta apaixonante modalidade. Tive também o privilégio, ao longo da minha carreira desportiva, de ter jogado em dois dos melhores clubes de Portugal e Espanha, tendo ganho o título nacional nos dois países.

Nada se pode comparar em termos da competição àquilo que significa representar a nossa Seleção Nacional, no maior palco de qualquer modalidade, onde só chega uma elite cada vez mais pequena ou mais competitiva… Talvez o hábito pessoal criado ao longo dos tempos (estar entre os melhores) me tivesse retirado alguns tempos de prazer, celebração e até consciência de feitos difíceis e complexos. A vida de um Atleta não pára porque hoje se fez um jogo bom e se venceu… É preciso continuar a sentirmo-nos competitivos para o próximo embate.

Vivo hoje com uma intensidade “quase” semelhante os feitos da nossa seleção de Andebol, em tempos complexos para todos, e tive o privilégio de ter vivido momentos anteriores de grande construção coletiva que também permitiram, com a ajuda de todos, cimentar o nível competitivo, a ambição e o orgulho que esta seleção nos transmite a todos.

Portugal está de parabéns e não é somente porque conseguimos estes resultados históricos. É também porque a estrutura desportiva nacional, sem exclusões ou exceções, apesar dos desafios imensos que são necessários para manter uma seleção competitiva ao mais alto nível, é capaz de suportar esta exigência: trata-se de um trabalho de todos - ter o foco necessário e conseguir responder às também enormes exigências das provas nacionais, da logística internacional, da sensibilidade da equipa técnica, dos ambientes internos da equipa e a importância do espírito de uma seleção nacional dentro de campo. É certo que o prazer que tenho hoje com as seleções de andebol, ou a ver andebol de alto nível, fora de campo, já o consiga equiparar ao prazer que tinha enquanto Atleta.

A participação nos Jogos Olímpicos é complexa e decorre do trajeto e participações das seleções em torneios Europeus e Mundiais. Para se garantir uma participação é necessário ser o organizador da prova, vencer o Campeonato do Mundo anterior, ser a melhor seleção por ranking do continente Africano, Asiático, Europeu e Américas. A partir destas 6 posições, e recordo que participaram no último mundial 32 seleções nacionais, estão disponíveis 6 posições decorrentes dos três torneios de qualificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2021 e que foram reprogramados para ocorrer de 12 a 14 de março de 2021. Na Noruega (Torneio 1), França (Torneio 2) e Alemanha (Torneio 3), devido à situação relacionada à COVID-19. Quatro equipas participarão em cada torneio, com as duas equipas mais bem classificadas a integrarem o conjunto de equipas a disputar os JO de Tóquio 2021.

EQUIPAS QUALIFICADAS

Torneio 1: Noruega (NOR), Brasil (BRA), Chile (CHI), República da Coréia (KOR)

Torneio 2: França (FRA), Croácia (CRO), Tunísia (TUN), Portugal (POR)

Torneio 3: Alemanha (GER), Suécia (SWE), Eslovênia (SLO), Argélia (ALG

Gostaria de desejar as maiores felicidades à missão olímpica da Equipa Portugal, na epopeia hercúlea de trazer medalhas para o nosso país. Força Portugal!