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Opinião
Filipe Jesus

Filipe Jesus

Departamento Missões e Preparação Olímpica do COP

Já se vê uma luz ao fundo do túnel

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje escreve Filipe Jesus, gestor desportivo do COP

Filipe Jesus

Cameron Spencer

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Portugal conseguiu recentemente um enorme reconhecimento internacional nas mais diversas modalidades: foram os Europeus de Pista Coberta de Atletismo, foi o Campeonato do Mundo de Vela da classe 470, foi a qualificação histórica da seleção masculina de Andebol para uns Jogos Olímpicos - só para destacar os mais recentes, porque existiram ao longo deste último ciclo muitos mais honrosos resultados na Canoagem, Ciclismo, Equestre, Ginástica, Judo, Natação, Skate, Surf, Taekwondo, Ténis, Ténis de Mesa, nos Tiros e no Triatlo.

E o que têm todas estas modalidades em comum? Têm atletas integrados no Programa de Preparação Olímpica – Projeto Tóquio 2020.

Este Programa de Preparação Olímpica tem por objeto assegurar as condições de preparação para os Jogos Olímpicos, designadamente através da atribuição de bolsas aos atletas e treinadores integrados no Projeto Tóquio 2020, bem como a concessão de verbas às Federações, consignadas à preparação e participação competitiva dos atletas integrados no Projeto Tóquio 2020.

Face ao adiamento dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 para 2021 foram necessárias medidas extraordinárias de gestão da sustentabilidade do Programa de Preparação Olímpica, com o objetivo de minimizar os efeitos da pandemia e proporcionar a possível tranquilidade na preparação dos atletas.

Tais medidas passaram pela manutenção dos valores comprometidos para o Apoio à Preparação durante o ano de 2020; pelo prolongamento automático, até à nova data dos Jogos Olímpicos, das integrações dos atletas qualificados; pela manutenção dos níveis de todos os atletas integrados no Projeto Tóquio que continuam com possibilidades de qualificação até ser possível a normal realização dos quadros competitivos nas diferentes modalidades; pela manutenção das bolsas de atletas e de treinadores de acordo com os princípios anteriormente apresentados e, com a ausência e indefinição do quadro competitivo, pela solicitação às Federações de adotarem uma gestão responsável dos recursos disponibilizados ao longo do ano passado, cumprida com elevada distinção, na perspetiva de garantir as melhores condições de apoio ao processo de qualificação, que retomou somente no último trimestre do ano passado.

É certo que todas estas medidas ajudaram o topo da pirâmide do movimento desportivo, mas e muito bem expressado na carta aberta ao Primeiro-Ministro subscrita por um grupo de atletas de elite, a importância da Atividade Física e do Desporto não se resume às prestações desportivas de um grupo de Atletas.

Felizmente, a acompanhar as medidas gerais de desconfinamento foi anunciado o regresso gradual do desporto de formação e, reconhecendo a necessidade de medidas extraordinárias para mitigar as consequências da pandemia no Desporto, uma vitamina de 65 milhões de euros,

dos quais 30 milhões a fundo perdido para clubes e associações desportivas, 5 milhões para reabilitação de instalações desportivas e uma linha de crédito de 30 milhões para as Federações dotadas de utilidade pública desportiva.

Já se vê uma luz ao fundo do túnel! Mas a capacidade de alcançá-la dependerá não só da concretização dos apoios anunciados, da burocracia e critérios de acesso, como também da capacidade dos clubes, associações e federações em construírem alicerces que sustentem o topo da pirâmide do movimento desportivo. Porque as dívidas contraídas para recuperar hoje precisarão de ser pagas amanhã, e por mais sólido que seja o telhado todas as casas acabam por desmoronar se não tiverem bases sustentáveis.

Por fim, assinalo que ontem teve início o percurso da Tocha Olímpica pelo Japão, na sua viagem de 121 dias pelas 47 prefeituras do país que de 23 de julho a 8 de agosto vai receber os Jogos Olímpicos.

“Os sonhos são para serem vividos”