Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Opinião
Sofia Macedo

Sofia Macedo

Gestora de Marca e Responsabilidade Social do COP

Unidos podemos mudar o mundo

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje escreve Sofia Macedo, gestora de marca e responsabilidade social do COP

Sofia Macedo

Kim Kyung Hoon

Partilhar

Já muito se refletiu, discutiu e escreveu sobre a transformação que a pandemia de Covid-19 tem vindo a provocar em todo o mundo. Ainda assim, talvez só num futuro próximo se consiga avaliar com maior lucidez e rigor a extensão do impacto que esta crise está a ter na sociedade.

Mas o amanhã é algo que conseguimos, em parte, ir moldando. O conjunto de inovações científicas e tecnológicas, a adoção de políticas públicas e as mudanças de comportamento da sociedade começam a iluminar um caminho que poderá conduzir-nos a um lugar mais harmonioso.

Numa visão para o futuro do Movimento Olímpico, o Comité Olímpico Internacional (COI) aprovou no passado mês de março a Agenda Olímpica 2020+5, com um conjunto de quinze recomendações resultantes da identificação das principais tendências de um mundo pós- pandemia: solidariedade, transformação digital, sustentabilidade, credibilidade e resiliência económica e financeira.

Sendo o desporto reconhecido pela Organização das Nações Unidas como um impulsionador do desenvolvimento sustentável, a sua missão sai especialmente fortalecida em duas recomendações dedicadas a este tema na Agenda Olímpica 2020+5: incentivar os Jogos Olímpicos sustentáveis e reforçar o papel do desporto no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Este entendimento é evidenciado nas palavras do presidente do COI, Thomas Bach: “Como líderes do Movimento Olímpico, temos de nos preparar para um mundo novo. E para moldarmos o futuro, precisamos de ter uma visão de como esse mundo será”.

Um mundo novo desenha-se também na edição dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, que se apresentam como os mais tecnológicos e mais sustentáveis de sempre. Com inovação e criatividade, a sociedade civil foi desafiada pelo comité organizador a participar. Veja-se, por exemplo, a iniciativa de recolha, junto da população em todo o território japonês, de pequenos equipamentos eletrónicos fora de uso, tais como telemóveis, para a produção das medalhas utilizando metais reciclados. Ou ainda a contribuição dos cidadãos com resíduos de plástico que, juntamente com plástico recolhido do mar, foram matéria-prima para a produção dos pódios que os medalhados irão pisar.

Durante um mês de março excecionalmente quente, este ano as cerejeiras voltaram a florir mais cedo em Quioto, batendo novo recorde desde que há registo. Momento de beleza que não consegue ocultar a crise climática que todos somos chamados a enfrentar.

O tempo é de reconstrução, palavra que os japoneses bem conhecem. E, sobre as cicatrizes de zonas atingidas por catástrofes, crescem as flores dos bouquets que serão oferecidos aos medalhados. Não há como ignorar esta mensagem vinda de um dos maiores palcos desportivos do mundo. Lugar de encontro de culturas, de diálogo e de celebração, onde os países têm mais uma oportunidade de fazer parte de algo maior que transcende a competição.

Portugal viverá este momento de união mostrando que também acredita no poder do desporto para mudar, e melhorar, o mundo.