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A imperialização de Seba Coates

"Sejamos honestos: toda a gente estava à espera da grande débâcle. E quando digo toda a gente não me refiro apenas aos adversários do Sporting, que desejavam naturalmente uma queda estrepitosa, mas também (e sobretudo) aos adeptos leoninos", escreve Bruno Vieira Amaral sobre o Sporting, prestes a sagrar-se campeão

Bruno Vieira Amaral

NurPhoto/Getty

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Que a pandemia virou o mundo do avesso é facto incontestável. Sistemas de saúde em rutura, economia para as couves, novo normal, etc. O futebol não escapou. E assim, dezanove anos depois, temos o Sporting campeão (os sportinguistas supersticiosos que me perdoem). Contudo, isso não é o mais estranho. Toda a gente sabia que, mais ano, menos ano, teria de acontecer. O que surpreende – e chega a assustar – são as circunstâncias. Seba Coates como “centralão” e líder do grupo? Rúben Amorim a comandar a equipa? Jovane como uma espécie de Mantorras com os joelhos intactos? A contratação mais cara de sempre feita a meio da temporada para marcar um golo em dez jogos?

Isto não pode ser um acaso. Isto é o universo a querer dizer-nos alguma coisa: “não percebes nada de futebol”; “o Jovane foi enviado por extra-terrestres”; “não te esqueças de comprar pão fatiado e comida para o gato.” Seria bom que déssemos ouvidos ao universo, à mãe-natureza, e comprássemos várias latas de comida para o gato. Ou reconhecêssemos que não percebemos nada de futebol, que nada disto faz sentido, que as coisas acontecem e mais vale aceitá-las sem muitas perguntas. Mas… como é que este Sporting se arrisca a chegar ao fim do campeonato sem uma única derrota?

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