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Rafael Salgueiro

Rafael Salgueiro

Vogal do Comité Olímpico de Portugal

Manter o desporto em movimento

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje escreve Rafael Salgueiro, vogal da Comissão Executiva do COP

Rafael Salgueiro

Noam Galai

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Inspirado numa frase famosa de Albert Einstein*, iniciamos este artigo com vontade de dizer bem alto que é fundamental manter o desporto em movimento.

* ”A vida é como andar de bicicleta. Para ter equilíbrio você tem que se manter em movimento”.

Num tempo de incerteza, mas com a luz ao fundo do túnel cada vez mais luzidia, é fundamental encontrar uma estratégia para garantir o equilíbrio do desenvolvimento desportivo.

Se, por um lado, os paliativos para minimizar os danos no topo de pirâmide têm sido aplicados pelas federações desportivas, em alguns casos com surpreendentes resultados internacionais, por outro lado, existe um elevado número de praticantes da famosa “base da pirâmide” que não obtém respostas para continuar a prática desportiva, não encontra um caminho e não vislumbra um futuro próximo.

Urge encontrar soluções para manter TODO o desporto em movimento.

É fundamental desenvolver uma estratégia nacional - um desígnio - para fazer chegar os apoios a quem deles mais necessita – aos clubes. Mas não podemos ficar pelos planos estratégicos ou táticos, são necessárias ações concretas, projetos que envolvam recursos e devolvam esperança.

Temos de trabalhar para viabilizar o funcionamento das instalações desportivas, temos de reforçar a formação e a empregabilidade dos recursos humanos, temos de impulsionar os quadros competitivos, mesmo que os moldes tenham de ser adaptados às circunstâncias e temos de promover eventos para reativar uma parte da economia que viu o seu negócio estagnar.

Os decisores políticos e dirigentes deverão abraçar esta causa e envolver as estruturas técnicas na preparação de um modelo eficaz para evitar o descalabro do desporto e o desmoronamento do edifício desportivo. Caso contrário serão responsáveis por uma

herança pesada, hipotecando o futuro de muitos jovens, muitas associações desportivas e de muitos projetos de vida.

Trata-se de aproveitar este momento histórico para dotar o desporto de um projeto abrangente e equitativo, que garanta que os apoios chegam em tempo e em qualidade às estruturas de base e que estas sejam estimuladas a crescer de forma sustentável e equilibrada.

Apesar das vozes vindas do sistema desportivo, que se têm levantado; da inclusão do desporto na famosa bazuca (em termos ainda pouco percetíveis); e apesar da resiliência de muitos que, num esforço digno de campeões, têm aguentado a tormenta, o tempo está a esgotar-se….

Não será possível iniciar uma nova época desportiva (que para a maioria das modalidades começa em setembro) sem um plano concreto de apoios aos clubes de base. Os organismos de topo são fundamentais para manter a estrutura em funcionamento, mas sem clubes e praticantes de base não existe forma de alimentar essa estrutura.

Em nossa opinião, urge implementar um plano nacional em estreita articulação com as autarquias, deixando de parte os partidarismos e clubismos. A vida das pessoas, os projetos desportivos, a formação dos jovens, a manutenção e o desejável alargamento de uma base desportiva tem de estar acima de quaisquer outros interesses.

Ninguém quererá ficar na história com o ónus da liquidação de instituições desportivas, algumas delas centenárias, que sempre cumpriram o seu papel na sociedade, apesar de adversidades que enfrentaram. Está na hora de construir um legado desportivo e social.

Se algum contributo podemos aqui sugerir passa pela utilização de uma das forças do desporto – o trabalho de equipa. Vamos unir esforços, articulando instituições (administração central, municípios, federações, associações, clubes e operadores privados), criando um programa de ação que promova o equilíbrio do desporto, garantindo o futuro desportivo dos nossos jovens!