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Rui Bragança

Rui Bragança

Atleta olímpico de taekwondo

As aventuras na montanha-russa

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Rui Bragança. atleta olímpico de taekwondo

Rui Bragança

rui duarte silva

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“Então agora sonha mais alto, trabalha ainda mais para os novos sonhos se tornarem em objetivos e mais tarde em conquistas.” Este é um excerto do último texto da minha autoria publicado neste espaço.

Em 2016, quando atravessei o Atlântico como um miúdo excitado para o seu primeiro dia de aulas, estava na reta final do curso de medicina e a aterrar em terras brasileiras como 3.º cabeça de série e bicampeão europeu em título para os meus primeiros Jogos Olímpicos.

O combate inicial correu “excelentemente bem” e no segundo um pequeno toque no capacete ditou o fim da aventura. Aquele que era o ponto mais alto da minha carreira passou a ser “só” uma memória incrível e mais um ponto alto, já que depois disso recomeçou a montanha-russa!

Chegado a Portugal, muitas coisas mudaram: o clube - juntei-me à família benfiquista -, a categoria - passei a competir em -68kg e tirei a barriga de misérias -, terminei o curso e fui eleito para Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) onde, em conjunto com outros oito colegas olímpicos, trabalhamos afincadamente para representar e apoiar os atletas Olímpicos ou em preparação Olímpica.

Posteriormente, regressei à categoria dos -58kg e à rigorosa dieta para competir nesta categoria, ganhei a minha 2ª medalha de prata nas Universíadas e aproveitei o balanço para me mudar para Madrid, procurando melhorar o processo de treino. Seguiu-se uma pós-graduação em medicina desportiva, algumas medalhas em competições internacionais e o regresso à pátria para montar a minha base de operações.

Com a conquista da minha 2.ª medalha em campeonatos do mundo, desta vez de bronze, entravamos na reta final do meu processo de qualificação para Tóquio. E, quando tudo parecia encaminhado, surge o SARS-Cov 2 para parar o mundo e redefinir planos! A partir de Março 2020 a única certeza era a incerteza, os treinos passaram a ser feitos em casa, as competições estavam suspensas e então a medicina ganhou uma nova dimensão.

Com o retomar da normalidade dos treinos iniciei o Internato de Formação Geral no Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco, tendo entretanto sido transferido, com o apoio da CAO, do Comité Olímpico de Portugal, da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto e da Secretaria de Estado da Saúde, para o Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, mais perto do meu local de treino, permitindo-me conciliar o internato com a carreira desportiva.

Voltei recentemente aos pódios em campeonatos da Europa, com uma medalha de bronze, e consegui a muito almejada segunda qualificação para os Jogos Olímpicos.

Este foi um ciclo muito exigente e desafiante, mas, com o apoio de muita gente, foi possível ultrapassar os obstáculos e as adversidades. Seguem-se agora novas aventuras, melhorar o meu resultado em Jogos Olímpicos e aproveitar esse dia tão especial e, talvez a aventura mais desafiante, ser Pai.

Muitas coisas mudaram, mas os objetivos, a ambição e o empenho permanecem intactos, desta vez com sonhos mais altos!