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FC Porto quer ter contas saldadas com a UEFA no final desta época

Dragões apresentam prejuízo de €24,8 milhões, mas têm vindo a cumprir e a ultrapassar os objetivos definidos no acordo de “Fair-Play” estabelecido com a UEFA e querem antecipar em um ano o final do pacto de quatro anos. Herrera queria €6 milhões para renovar

Valdemar Cruz

John Powell

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A SAD do FC Porto apresentou na manhã desta quinta-feira as contas relativas ao exercício 2017/2918, correspondentes ao segundo ano do acordo de “Fair Play” assinado com a UEFA, do qual resulta a obrigatoriedade de cumprimento de um conjunto de metas que têm vindo a ser sempre ultrapassadas. O administrador Fernando Gomes assinalou que o objetivo para aquele período seria um resultado negativo de €20 milhões, mas foi possível ficar nos €17 milhões, tal como na temporada 2016/2017 a meta definida era um resultado negativo de €30 milhões e no final ficou em apenas €25 milhões.

Para o exercício em curso, o prejuízo admitido no acordo é de €10 milhões, mas a previsão adiantada por Fernando Gomes é a de que a SAD chegará ao final com um saldo positivo de €11 milhões. “Como o que conta é a média dos últimos três anos, e foram acumulados €5 milhões no primeiro ano, mais €3 milhões no segundo, significa que, se podíamos ter €10 milhões negativos e vamos ter 11 positivos, então teremos um saldo positivo superior em €21 milhões ao objetivo definido pela UEFA”.

Não resulta daqui que tudo esteja bem no reduto do Dragão. O resultado líquido do exercício 2017/2918 indica um prejuízo de €28,4 milhões. Para lá de representar uma melhoria em relação à última época, em que aquele valor atingiu os €35,3 milhões, Fernando Gomes sublinhou, todavia, que “para efeitos do acordo de ‘Fair Play’ o resultado negativo é de €17,2 milhões”, dado haver uma despesa de €11,3 milhões não considerada pela UEFA por se relacionar com despesas de formação de atletas, custos de amortizações (excluídos passes de jogadores) ou equipamentos e infraestruturas.

Não são boas contas. Isso mesmo referiu o administrador quando acentuou que “em termos de boa exploração dever-se-ia ter sempre resultados positivos, uma vez que esse é sempre o objetivo, embora nem sempre as circunstâncias o permitam”. Neste caso houve uma circunstância muito particular, e muito do agrado dos portistas, que fez disparar aquele resultado negativo. O clube foi campeão nacional e isso implicou um aumento de custos com pessoal, devido à atribuição de prémios, num valor que ronda os €6 milhões.

Por outro lado, houve um grande aumento de receitas devido à participação nas competições europeias, visível nos proveitos operacionais, que passaram de €98,997 milhões para €105,792 milhões. Não se inclui aqui a venda de passes de jogadores. Para este exercício existe a expectativa de conseguir proveitos da ordem dos €70 milhões. Para isso será indispensável o FC Porto atingir os oitavos de final. Outro fator de peso na melhoria dos resultados operacionais é a circunstância de passar a ser contabilizado o acordo de direitos televisivos com a Altice. Antes havia o acordo com a Olivedesportos, que terminou no exercício passado.

Herrera queria €6 milhões para renovar

Quando se questionou a importância de ativos como o são os jogadores, Fernando Gomes recordou que a venda dos passes de Diogo Dalot, Ricardo Pereira, Martins Indi e Willy Boly, renderam €50 milhões, contra os €41 milhões da época passada. Questionado sobre as consequências da saída de Herrera a custo zero no final da época, Gomes assegurou que do ponto de vista contabilístico não tem significado, e Pinto da Costa, presidente do FC Porto, revelou que o jogador pedira €6 milhões para renovar. Não ficou esclarecido qual a resposta dada, ou se há ou não acordo entre as duas partes.

Com a dívida de curto prazo em grande parte transformada em dívida de longo prazo, a SAD do FC Porto surge com um capital próprio consolidado de €38,120 milhões negativos. Resulta daqui uma diminuição de €28,985 milhões, graças à incorporação do resultado líquido obtido no período em causa.

Fernando Gomes referiu que o capital próprio da FC Porto SAD “está subvalorizado”, visto que os valores pelos quais, quer o plantel, quer os direitos de utilização da marca FC Porto estão contabilisticamente registados, estão muito abaixo do seu valor de mercado.

Para explicar esta situação, o administrador da SAD deu o exemplo dos jogadores, situação que ocorre em todos os clubes. “Quando chega, é registado no balanço pelo seu valor de aquisição. Porém, em cada ano há uma amortização do valor, em função dos anos de contrato”. Assim, se chegou por €10 milhões, ao fim de quatro anos, o seu valor contabilístico é zero. Esta situação permitiu-lhe afirmar que a saída de Herrera a custo zero não teria expressão do ponto de vista contabilístico.

Assim, se o valor do plantel passou de €96 milhões para €82 milhões, essa não é a realidade de facto, uma vez que o valor de mercado é outro. Para o comprovar ciou o site “Transfer Market”, que apontou como muito credível na definição do valor de mercado dos jogadores, para constatar que, ali, o valor atual do plantel dos Dragões orça os €240 milhões. Mesmo assim, um valor conservador, disse, já que “há jogadores cujo passe o FC Porto nunca venderia pelos valores lá indicados”.