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Navegar tranquilo no meio do dilúvio

Numa noite chuvosa no Dragão, o FC Porto conseguiu descomplicar aquilo que o dilúvio e uma grande penalidade falhada podiam ter complicado. Dois grandes golos bastaram para derrotar um Belenenses SAD ausente, poupar forças para a Liga dos Campeões e garantir um lugar nos oitavos de final da Taça de Portugal

Lídia Paralta Gomes

JOSÉ COELHO/Lusa

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Será injusto dizer que foi um FC Porto em serviços mínimos aquele que mesmo com muitas alterações bateu o Belenenses SAD por 2-0, resultado que coloca a equipa de Sérgio Conceição nos oitavos de final da Taça de Portugal.

A verdade é que por momentos assim pareceu: ritmo calmo, golos nos momentos certos, controlo total, às tantas, demasiado gelo no jogo. Mas é preciso dar valor a uma equipa que consegue descomplicar um jogo que podia ter complicado. Principalmente pelo dilúvio de proporções bíblicas que caiu esta noite no Porto, que foi desgastando o relvado e desgastando os jogadores.

Mas também por aquela grande penalidade falhada por Otávio a meio da 2.ª parte, quando os dragões venciam por 1-0. Porque aquele remate frouxo do brasileiro podia muito bem ter sido a vitamina que o Belenenses, ausente do Dragão grande parte do encontro, precisava para relançar a eliminatória.

Acontece que, por estes dias, o FC Porto é uma equipa ultra-confiante. E a janela de oportunidade do Belenenses durou apenas três minutos: depois de falhar a grande penalidade, Otávio pegou numa bola que lhe foi entregue por Soares num ataque rápido para marcar um golo que, se fossemos pessoas exageradas, com tendência a ficar ligeiramente inebriadas pelos grandes momentos que o futebol ainda nos consegue dar, chamariamos de “maradoniano”.

Estávamos no minuto 58’ e já o relvado transbordava de água quando o médio passou por um, dois, três jogadores do Belenenses, numa ginga suave e sem esforço, até colocar a bola com toda a classe na baliza de Mika. Não haverá melhor redenção que esta, num jogo morno mas de golos quentes.

Jose Coelho/LUSA

Porque já o primeiro golo do FC Porto havia sido de antologia. Se o segundo golo saiu de um momento de inspiração individual, o primeiro foi um bonito quadro de ataque coletivo, que começou no novo lateral-direito portista, Jesus Corona.

Num encontro em que Sérgio Conceição chamou Fabiano à baliza e deu ainda a titularidade a Herrera, Adrián López e André Pereira, já claramente a pensar no jogo da Liga dos Campeões da próxima semana, a alteração mais curiosa acabou mesmo por ser a chamada do mexicano ao lugar de Maxi Pereira, território que não é propriamente desconhecido para Corona, mas nunca a titular, nunca desde o início do jogo.

Potente, rápido e destemido, aos 12' Corona arrancou desde a lateral a toda a velocidade, meteu no meio para Adrián, com o espanhol a terminar a tabelinha com um chapéu, que foi encontrar o mexicano já em frente à baliza de Mika. De primeira a bola seguiu cruzada para Soares, que de primeira só teve de encostar.

Tudo rápido, tudo simples, tudo bem executado. Sem complicações para este FC Porto que soube navegar tranquilo no meio do dilúvio.

Quanto ao Belenenses, ainda tentou na primeira parte algum futebol apoiado de qualidade, mas rapidamente perdeu o fôlego, mesmo perante um FC Porto sem grande vontade (bem, ou necessidade) de carregar. Fazer 300 quilómetros para isto parece, no mínimo, uma perda de tempo.