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Sérgio Conceição: “E o golo do Eder? Ninguém soltou um palavrão? É verdade, comemorei com um palavrão no meio. Não consigo viver sem paixão”

O treinador portista não compareceu na conferência de imprensa após o jogo contra o Boavista, mas apareceu na de antevisão à partida frente ao Portimonense (20h30, Sport TV1) e falou sobre a sua expulsão no Bessa, dizendo que, para ele, "todos os golos do FC Porto são como o golo do Eder" na final do Euro 2016. Sérgio Conceição revelou que ficou indignado com o que ouviu dizer sobre si, que o pouco tempo útil de jogo, em Portugal é "um bocadinho culpa de toda a gente" e que "não contava que o Boavista não jogasse futebol"

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Sérgio Conceição chega aos 250 jogos

"Eu e a minha equipa focamo-nos no nosso adversário. Obviamente, são 250 jogos, parece que foi ontem que comecei. Espero atingir muitos mais, mas não dou grande importância a isso. A minha preicupação é manter a equipa focada, costuma ser uma equipa difícil. O Portimonense fez-nos sempre golos. É uma equipa que tem qualidade individual, tem um treinador que conhece bem esta casa - e a mim também. Vai ser um jogo extremamente difícil. Nós temos que assumir as despesas do jogo e a responsabilidade para tentarmos ganhar os três pontos."

Folha, o amigo

"Como o conheço tão bem, e ele a mim, é difícil que possamos surpreender o outro. Vai ser um FC Porto-Portimonense e não um Sérgio Conceição-António Folha. Sei da forma como ele trabalha, mas depois há toda uma dinâmica para o jogo que depende de cada um de nós."

A expulsão no Bessa

"Começar por dizer que ninguém fica agradado de ser expulso e essas três expulsões que tanto invocam, não apanhem castigo porque não fiz nada de grave. Uma vez, o árbitro era o Artur Soares Dias, foi porque saí da área técnica, a segunda vez foi a mesma coisa e, agora, foi por festejar efusivamente o golo.

O jogo contra o Boavista é sempre difícil, sempre um dérbi muito disputado e intenso. Não contava, sinceramente, que o Boavista não jogasse futebol. Outro candidato ao título, que foi ao Bessa no início da época, sofreu 12 faltas e, contra nós, o Boavista fez o dobro. E houve tantas outras que não foram assinaladas. Nos primeiros 15 minutos o árbitro começou a perder o jogo - houve três ou quatro minutos de tempo útil.

Olhando para o lado e conhecendo um pouco o que é o ambiente do Bessa, nas costas, amigos meus a dizerem-me que sou espetacular, e o treinador do Boavista que às vezes até estava na linha do campo e o resto do banco todo levantado, com aquelas faltas todas. E eu, aos 95', que comemoro - é verdade, com um palavrão pelo meio -, sou expulso e depois, na televisão, ouço dizer que sou uma vergonha e ninguém fala das faltas e dos cartões amarelos ou vermelhos que ficaram por mostrar. Do tempo útil de jogo ninguém fala.

E o golo do Eder? Vocês que estão aqui na sala, nós que somos portugueses, ninguém soltou um palavrão? Não é normal? Tirando se estivesse na missa, claro. Os golos do Eder, para mim, são todos os jogos do FC Porto. São vividos com emoção e paixão, o que querem que faça? Não consigo viver sem paixão. Olha, metam-me numa jaula, não me mandem para o banco. Disse um palavrão, é verdade. E disse também "toma..." qualquer coisa. Pronto, foi isto."

É perseguido pelos árbitros?

"Acho que o FC Porto falou e está falado. Dou-vos um exemplo. O Jorge Jesus, que não está entre nós, mas está, anda por aqui, ele vive o jogo da mesma forma que vivo e nunca o vi a ser expulso, que me lembre, por festejar um golo de forma mais efusiva. E tive jogos contra ele em que ele estava algumas vezes perto do meu banco, a conversar."

Estão a colocar-lhe um rótulo depreciativo?

"Há muito gente que se aproveita de uma ou outra situação menos positiva para lhe darem mais realce. Vi um ou outro programa, durante pouco tempo, para ver os comentários, e senti uma indignação incrível. Gente a comentar de forma revoltada. Às vezes, não compreendo."

O pouco tempo de jogo útil em Portugal: de quem é a culpa?

"Já tive a oportunidade de dizer num fórum da UEFA que há que modificar alguma coisa. Não só no nosso país. Muitos treinadores queixaram-se, porque beneficia sempre a equipa, teoricamente, mais fraca. Já representei equipas desse género e não há um jogador que possa vir dizer que lhe disse para se atirar para o chão ou mandar a bola para fora para perder tempo. Não acredito que parta dos jogadores. Dentro do que é o processo defensivo da equipa, há, naturalmente, alguma agressividade e está lá o árbitro para controlar isso.

É um bocadinho culpa de toda a gente. Muitas vezes, os árbitros também permitem que isso aconteça. Aos 13 ou aos 14 minutos, um jogador do Boavista estava lesionado, via-se, estava a bater com a mão no chão, saiu, e o treinador ainda o mandou lá para dentro outra vez. Perderam-se muitos minutos. Todos os jogadores e treinadores são diferentes uns dos outros - e os árbitros também."

Confiante na vitória?

"Estou sempre. Trabalhamos com grande confiança. Ganhar o próximo jogo é o mais importante e fico sempre contente quando ganho, independentemente do número que é. Queremos sempre ganhar, às vezes não conseguimos, o mais difícil é estar ao mais alto nível o máximo de tempo possível."

A equipa, como está?

"Muito comprometida. Já conseguimos, na parte final, ganhar alguns jogos. Os golos podem ser conseguidos do primeiro ao último minuto. A equipa tem de jogar sempre de forma agressiva, a procurar a baliza contrária. Se fazemos um ou dois golos, vamos sempre à procura do terceiro. O importante é que isso é sinónimo de que a equipa está muito focada e comprometida e acredita até ao apito final do árbitro."

Sobre Jackson Martínez e a sua lesão

"Gosto sempre de defrontar os melhores jogadores, que contribuem para um bom espetáculo, que é o que as pessoas apreciam. São os tais jogos bem jogados. Ele é um ser humano espetacular, não privei com ele, mas sei e ouço do que foi a passagem do Jackson pelo FC Porto. É também um futebolista de eleição, que tem passado os últimos dois ou três anos com problemas físicos e acredito que tenha sofrido muito.

Nota-se que é apaixonado por aquilo que faz. Sei que está limitado, lesionou-se no último jogo, mas, se vier cá, vou felicitá-lo pela carreira e pelo que fez no futebol, em geral."

Qual é o limite?

"Ganhar as provas em que estou inserido, internamente, e chegar o mais longe possível na Liga dos Campeões. Agora é olhar para a frente e perceber que temos uma equipa extremamente competitiva e que vamos jogar jogo a jogo. O campeonato é o nosso grande objetivo."

Como mantém os suplentes tão focados?

"O espírito é bom porque toda a gente trabalha da mesma forma. É dada a mesma importância a todos os jogadores e todo o trabalho do nosso dia a dia é pensado para que qualquer jogador, tenha mais ou menos minutos, possa dar uma resposta positiva. Às vezes, logo a seguir aos jogos, já temos trabalho com os jogadores menos utilizados.

Quer-se que todos deem a melhor resposta, mas, às vezes, isso não é fácil por questões emocionais de cada um. Todos compreendem que o mais importante é a equipa e não o António, o Manuel ou o Joaquim."