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FC Porto: plantel avaliado em €232 milhões, receitas comerciais disparam 43%

Numa análise aos clubes campeões das oito maiores ligas europeias, relatório da KPMG aponta um crescimento de 7% das receitas na SAD no ano em que o FC Porto reconquistou o título nacional. Os jogadores mais valiosos do reino do Dragão são Alex Telles, Marega e Brahimi, que juntos valem € 71 milhões. No ranking das equipas milionárias estão Manchester City e Barcelona, com plantéis estimados em € 1,182 milhões e € 1,101 milhões

Anton Novoderezhkin

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No terceiro relatório da auditora que analisa o valor de mercado dos clubes campeões das oito principais Ligas europeias, o Barcelona é o clube mais rico da lista, com um total de receitas operacionais de € 689 milhões, apenas perdendo o título de mais rico do mundo para o rival Real Madrid, que mesmo sem o lustro de campeão da La Liga apresentou proveitos de € 743 milhões.

Na espiral de ganhos dos clubes, as receitas que mais contribuem para a bolha do futebol são as comerciais, com a venda de direitos televisivos à cabeça, que subiram sem exceção nos oito clubes alvo do estudo da KPMG, em especial no Bayern de Munique, que ultrapassou a fasquia dos € 300 milhões de receitas nesta área. As receitas comerciais são, de resto, as que revelam maior impacto nos cofres de seis clubes, sendo as exceções o FC Porto e a Juventus, embora curiosamente tenham sido aqueles em que estes proveitos mais engordaram.

No caso dos Dragões o salto em frente foi de 43%, no do patrão de Cristiano Ronaldo de 21%.

Tal como a coluna das receitas, também a de custos volta a inflacionar. Na última época, a culpa foi a transferência histórica de Neymar do Barcelona para o PSG por € 222 milhões e o efeito dominó que provocou em Camp Nou com as entradas de Dembélé e Coutinho.

O Barcelona registou, aliás, a maior subida de sempre custos (42%), com gastos no valor de € 562 milhões, enquanto no PSG atingiu os 20%, num total de € 332 milhões.

O controlo de custos mantém-se, segundo a KPMG, a chave do futuro financeiro dos clubes, face ao desvio do racio gastos/benefícios, cuja exceção foi em 2017/18 o Manchester City. Entre os três clubes que excederam o limite de custos de 70% monitorizado pela UEFA encontram-se o Barcelona (81%), o FC Porto (80%) e o Galatasaray (71%). Mas apesar do cenário de subida de custos, cinco dos oito campeões obtiveram lucros, mantendo-se com as contas no vermelho FC Porto, Galatasaray e Juventus.

Na época em análise a SAD portista registou € 106 milhões de receitas operacionais, o equivalente a uma subida de 7%, e um prejuízo final de € 29 milhões, embora dentro dos limites traçados pelo fair play da UEFA. A equipa de Sérgio Conceição está avaliada em € 232 milhões, a sexta mais valiosa do ranking dos 'oito' e em que figuram na cauda o PSV Einhoven (€ 160 milhões) e a do Galatasaray (€ 83 milhões).

Numa indústria onde os jogadores são os maiores ativos dos clubes, a equipa mais valiosa do mercado é a Manchester City, avaliada em € 1,182 milhões. No segundo lugar do pódio, encontra-se o o Barcelona (€ 1,1 milhões), seguida do PSG (€ 896 milhões).

No topo do ranking dos futebolistas mais cotados do mundo figura o protagonista da maior transferência de sempre, Neymar, estimado em € 229 milhões, seguido do colega de equipa Kylian Mabppé (€215 milhões) e ainda o eterno Lionel Messi (€ 203 milhões). No reino do Dragão, as estrelas mais valiosas são Alex Telles, cotado em € 25 milhões, Marega (€ 24 milhões) e Brahimi ( € 24 milhões).

Na estrutura de receitas do FC Porto, o pincipal encaixe é o da venda de direitos televisivos (€ 54,6 milhões/ano), seguida dos proveitos comerciais (€ 38,1 milhões). Para a SAD portista, as receitas da Liga dos Campeões são encaradas como vitais, sendo apontado como o emblema mais dependente dos prémios da UEFA. Em 2017/18 o encaixe foi de € 30,9 milhões, ou seja, 29% das receitas totais, apesar de a equipa dos Dragões ter sido eliminada nos oitavos de final da prova, frente ao Liverpool. Esta época, Sérgio Conceição e companhia defrontam a Roma na mesma fase da Champions, tendo já garantido na época em curso € 68 milhões da Liga milionária.

A época 2017/18 é caraterizada pela KPMG como um ciclo de dura competição pelo regresso de clubes do topo europeu à liderança das respetivas Ligas internas, como se prova pelo cenário de apenas duas equipas terem segurado os títulos de campeãs nacionais: o Bayern de Munique, que venceu a Bundesliga pela sexta vez consecutiva, e a Juventus, heptacampeã de Itália.

Nas restantes seis Ligas analisadas, as faixas mudaram de dono, com destaque para o FC Porto que acabou com quatro épocas de jejum e evitou o desejado penta do Benfica. Após um ano de nojo, de volta à ribalta destaque ainda para o FC Barcelona, PSG e PSV Eidhoven, enquanto Galatasaray e Manchester City lograram ser campeões após vários anos de ausência, no caso da equipa de Pep Guardiola com a esmagadora diferença de 19 pontos para o rival United de José Mourinho.

A auditora KPMG assinala que a indústria do futebol atravessa uma fase de mudança do ponto de vista do negócio, com os clubes de topo transformados em marcas de entretenimento global, captando não só adeptos como clientes e audiências a nível mundial.