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Pelo retrovisor

O FC Porto não foi além de um nulo em Guimarães e, de repente, o campeonato está relançado. Depois de passar boa parte da liga descansado na frente, os dragões têm agora de olhar para trás: o Benfica está a três pontos e o Sp. Braga a quatro. Isto após um jogo físico e intenso, onde a equipa de Sérgio Conceição não foi eficaz nem objetiva, algo que não costuma ser um problema. Mas este domingo foi

Lídia Paralta Gomes

JOSÉ COELHO/LUSA

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De repente, no espaço de cinco horas, o campeonato está relançado. Relançado está porque à vitória do Benfica em Alvalade o FC Porto respondeu com um jogo intenso mas nem sempre inspirado em Guimarães, perante um Vitória que depois de jogar que se fartar sem resultados práticos frente ao Benfica, tanto no campeonato como na Taça, levou o jogo para o lado físico, impondo uma presença à qual os dragões nunca conseguiram responder com criatividade suficiente, ainda que tenham passado pelos pés dos jogadores do FC Porto as melhores oportunidades do jogo.

E agora, depois de passar boa parte do campeonato calmamente da frente, o FC Porto tem de olhar pelo retrovisor, onde lhe vai aparecer o Benfica a três pontos e a depender de si próprio para ser campeão, e um Sp. Braga que, sem grande ondas, ali está a quatro pontos e com todas as hipóteses em aberto.

O nulo pode bem explicar-se pelo dia não dos avançados do FC Porto, o sempre tão eficaz FC Porto, que na 1.ª parte teve bola, intensidade, boa progressão na transição mas falhou sempre no momento decisivo. Falhou Brahimi logo aos 5 minutos, num belo movimento pela esquerda de fora para dentro, com o remate a sair um poquinho ao lado da baliza de Douglas. Falhou depois Soares, aos 16’, que após um bom movimento de costas para a baliza rematou à barra. E falhou ainda Marega, ao finalizar mal ao 2.ª poste quando tinha espaço para fazer melhor.

OCTAVIO PASSOS/LUSA

As oportunidades falhadas causaram mossa nos jogadores do FC Porto, talvez não habituados a tão pouca inspiração na hora de rematar. O arranque da 2.ª parte foi nervoso e os dragões demoraram a ambientar-se a uma estratégia mais dura de Luís Castro, mais na expectativa e na procura de aproveitar um erro no contra-ataque.

Foi apenas nos últimos 25 minutos que o FC Porto voltou a criar perigo e quase marcava aos 64' quando Corona entrou de rompante para responder à chamada de um cruzamento de Alex Telles. Douglas estava no caminho da bola, mas pareceu milagre.

Aos 73’ foi a vez de Frederico Venâncio salvar o Vitória, ao tirar da linha um remate de Marega - o maliano esteve irreconhecível e ainda saiu lesionado, possivelmente com gravidade - e aos 86’ Douglas foi novamente preponderante: fez bem a mancha a Corona quando o mexicano se preparava para marcar.

O remate de ressaca de Otávio já para lá dos 90’ ainda deu sensação de golo, mas as balizas continuaram fechadas até ao fim, para dar ao FC Porto um empate que é bem mais que um simples empate: é um livre-passe para Benfica e Sp. Braga continuarem a sonhar.