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Os improváveis (com ajuda dos do costume) assumem papel de destaque na vitória do FC Porto

Dragões acabaram com a série de três jogos sem vencer com uma vitória tranquila por 2-0 frente a um Vitória de Setúbal que pouco incomodou e que acabou reduzido a dez. Herrera e Soares fizeram os golos mas Adrián e Manafá destacaram-se e ajudaram o os campeões nacionais a manterem o primeiro lugar. Só não correu tudo bem porque Danilo Pereira saiu lesionado (mais um) e está em dúvida

Tiago Oliveira

Soares cabeceia para o segundo golo do FC Porto

Getty

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Se há uma certeza na vida é que na vida não há certezas. Ao contrário do que dizem Seu Jorge e Carolina, não é "como a gente achou que ia ser", há imprevistos, curvas com as quais não contamos, fatores que aparecem do nada. O destino não é uma linha recta, é mais um rendilhado, se formos a ver bem. Acho que estão a perceber a ideia. Isto tudo (e prometo que não mais) para dizer que se há algumas semanas alguém dissesse que o FC Porto ia perder seis pontos em quatro jogos e permitir a colagem do Benfica, talvez nem os próprios atletas portistas acreditassem. Mas, lá está, aconteceu. Assim como se alguém dissesse que Adrián Lopez iria ser decisivo em dois jogos seguidos, talvez nem o próprio acreditasse. Certo é que aconteceu e o avançado espanhol voltou efetivamente a ser decisivo e foi um dos melhores na vitória por 2-0 dos dragões frente ao Vitória de Setúbal.

Um jogo em que destaques de sempre se juntaram a destaques improváveis a mostrarem que podem contar com eles. Após o papel de herói acidental que o espanhol vestiu contra a AS Roma, Sérgio Conceição recompensou-o com a titularidade frente aos sadinos e Adrián encarregou-se de mostrar que está em boa forma. Assim como Manafá, que estreou-se a titular com a camisola azul e branco e deu uma imagem de plena integração na equipa, com assinalável pulmão e bons recursos técnicos. Já lá vamos.

Três jogos, três partidas sem vencer e a pressão a começar-se a sentir para os lados do Dragão, sobretudo por oposição à recente pujança demonstrada pelo Benfica e à perseguição sempre a passo certo do Braga. Numa espécie de toque a reunir, o técnico portista utilizou a conferência de imprensa para lembrar que, apesar de tudo, o FC Porto ainda era primeiro e teria que defender esse estatuto frente a um adversário que tinha dado boa conta de si no jogo da primeira volta. O que diga-se, em abono da verdade, não aconteceu esta noite.

São uns sadinos completamente diferentes e que se mostraram o adversário ideal para uns dragões à procura de ganhar confiança. Há 12 jogos sem vencer em todas as competições, o Setúbal revelou-se presa fácil e cedo caiu perante a primeira grande oportunidade de golo do jogo. Após um início com o Porto a ter toda a bola só que sem grande inspiração para furar a defesa contrária, apareceu Adrián López. O espanhol lançou Corona que habilmente tirou um defesa do caminho e devolveu a bola ao avançado, com o seu o remate a ser parado por Vasco Fernandes. A bola ficou viva e sobrou para Herrera que, sem oposição, colocou os dragões a vencer aos 15 minutos.

Cabeça (e falta dela) de Soares

O frágil castelo do Setúbal abriu brechas que não mais foram fechadas ao longo do encontro e não foi preciso um FC Porto em grande rotação para ir criando vários lances de perigo. Com Corona a agitar o jogo, Adrian a aparecer com qualidade e Manafá a dar muita largura pelo seu corredor, os dragões controlavam a bel-prazer uma partida em que Pepe ficou no banco e Militão voltou ao centro da defesa. Tendência que não se alterou com a saída de Danilo (para preocupação dos responsáveis azuis e brancos) por lesão e a entrada de Óliver. Soares aos 33 e Adrián aos 37 minutos estiveram perto do golo, com o 1-0 a aguentar-se até final da primeira parte.

Após o intervalo, o FC Porto entrou forte a tentar fazer o segundo golo e poder gerir de outra forma a partida num ciclo que continua infernal. Propósito em que contaram com o contributo da expulsão de Éber Bessa que foi admoestado com um (duvidoso) segundo amarelo e deixou os sadinos a jogar com menos um desde os 53 minutos. Corona e Militão ainda desperdiçaram e pouco depois, em sucessão rápida, surgiu a única meia oportunidade de golo do Setúbal, com Cádiz a não conseguir desviar à boca da baliza, e aos 65 minutos o segundo golo da equipa da casa.

Alex Telles, também ele em destaque, decidiu replicar à boa exibição de Manafá com mais um exemplo de cruzamento teleguiado. Bola perfeita a sair do lado direito e Tiquinho Soares a cabecear para o fundo das redes. O avançado brasileiro viu um amarelo desnecessário que o coloca fora da deslocação a Tondela e procurou compensar com mais golos, numa intenção que esbarrou sempre em Cristiano ou na defesa setubalense. Com espaço para jogar, Óliver mostrou-se ao seu melhor nível e manteve a equipa sempre mais próxima do terceiro golo do que de sofrer, sem percalços até final.

Não aconteceu nem golo marcado nem golo sofrido e o FC Porto saiu do Dragão com uma vitória por 2-0 que lhe permite manter o primeiro lugar no campeonato e responder a uma fase menos positiva. Com a ajuda dos improváveis.