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Dérbi da Invicta só deu mesmo dragão

FC Porto venceu o Boavista por 2-0 com golos de Soares (de penálti) e Otávio num jogo em que os axadrezados nunca ameaçaram e os dragões controlaram com um olho em Liverpool

Tiago Oliveira

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Otávio lá fez uma mudança de velocidade, rematou de longe e Bracali protestou com o colega por ter deixado o jogador do FC Porto ter fugido tão facilmente. Assim se resume o lance que colocou os dragões a vencer por 2-0 aos 48 minutos e que essencialmente acabou com o jogo por ali. Porque a forma quase blasé com que decorreu o lance foi o espelho da segunda parte que pareceu sempre andar à espera de acabar. Sem nada que animasse. Até pelo lado dos treinadores, cuja intensidade que os colocou hoje na bancada também esteve ausente.

Antes o jogo deu-nos um pouco mais da intensidade que se costuma esperar do dérbi da Invicta, com espaço para intervenções de árbitro e VAR e uma boa exibição do FC Porto, só com uma constante ao longo do jogo. Que não foi outra que não a muita pouca expressividade ofensiva e segurança defensiva do Boavista, que não podia ter sido melhor adversário para os dragões na antecâmara da visita a Anfield Road para a primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões.

Claro que é preciso dizer que os azuis e brancos fizeram por isso. Ao contrário do que é habitual, os comandados de Sérgio Conceição abandonaram a entrada apática e trocaram-na por uma intensidade ofensiva que cedo colocou a equipa visitante a recuar linhas. Para isso também terá contribuído jogar com dois laterais que da posição só tiveram praticamente o nome, ao não tivessem passado mais de metade do tempo a jogar no meio-campo adversário.

Se Corona não é mesmo defesa, Manafá também é extremo de origem e a colocação dos dois de início foi determinante para a dinâmica atacante dos dragões. Assim como as trocas constantes entre os quatro da frente, com Brahimi de regresso ao onze e a mostrar a falta que faz a este FC Porto.

O argelino foi sempre agitando as águas mas seria pelos pés do improvável tecnicista Soares que surgiu o primeiro grande lance de perigo. Ao dois, aliás. Porque se após bom trabalho do avançado brasileiro, Bracali respondeu com uma boa defesa com o pé esquerdo, a recarga trouxe uma repetição de cena dos mesmos protagonistas.

Só dava FC Porto e, se no papel, o Boavista até parecia trazer um onze bastante ofensivo, os axadrezados nunca deram mostras de poder incomodar verdadeiramente Iker Casillas, num sistema de três centrais e sem alguns habituais titulares. Tirando um ou outro fogacho. Um deles, logo aos 11 minutos, quando Matheus Índio mandou a bola não muito por cima da baliza do espanhol.

Foi o único susto no meio da pressão ofensiva da equipa da casa que até aos 20 minutos foi acumulando oportunidades e esteve sempre próxima do golo. Brahimi foi um dos que esteve quase a abrir o marcado, só que o remate ao seu jeito, em arco, saiu a rasar o poste. Se o domínio dos azuis e brancos ia sempre provocando problemas ao Boavista, também é certo que as oportunidades começaram a escassear e, quando o resultado já parecia encaminhar-se para o nulo antes do descanso, eis que surge de novo o abre-latas de muitas ocasiões.

Incursão pela esquerda do argelino que entra na grande área e e entra em contacta com uma perna escusada de Raphael Silva. Abordagem imprudente do axadrezado que levou Rui Costa a apontar para a marca da grande penalidade. Apesar de Brahimi ter pedido para tentar a sua sorte, foi Tiquinho a assumir o lance, com o brasileiro a dar sequência ao penálti convertido em Braga e a colocar o FC Porto em vantagem aos 41 minutos.

Estreias

13º golo de Soares na prova, com o avançado a cimentar o estatuto de melhor marcado no campeonato, perante a seca de golos do seu parceiro, Marega. Que até quebrou o jejum mesmo a fechar a primeira parte. O único problema foi estar em fora de jogo que o VAR prontamente descortinou e indicou ao árbitro, que anulou o tento.

O Boavista ainda teve espaço para obrigar Casillas a socar um livre direto e se os dois lances ainda davam alguma esperança ao Boavista, a segunda parte encarregou-se muito cedo de a tirar. É só voltar ao lance que abre este texto. Otávio recebe no meio, passa facilmente por Yusupha e remata de longe para o fundo da baliza, num lance em que não só o jogador azadrezado como o guarda-redes podiam ter feito muito mais.

A história do jogo estava escrita e nenhuns motivos de interesse dignos da história do dérbi da Invicta proporcionou até final. Com Pepe e Militão (que diferença faz ter o primeiro a jogar à direita na dupla de centrais e o segundo a atuar efetivamente a central) sempre seguros, os dragões nunca passaram por arrepios e limitaram-se a gerir. Deu para a entrada do herói do jogo da primeira volta, Hernâni, para a estreia (finalmente, pensará ele) de Loum e pouco mais.

Vitória fácil e sem discussão do FC Porto que chega à liderança provisória do campeonato e fica à espera do que o Benfica pode fazer, enquanto prepara as malas para Anfield Road.