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Uma viagem de duas décadas às épocas e aos números do ‘penta’

Quando o FC Porto entrou em campo, em Alvalade, naquele 22 de maio de 1999, já sabia que era pentacampeão, algo inédito no futebol português. Recorde aqui a caminhada

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Steve Mitchell - EMPICS

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Esta história mete dragões mas não contém spoilers nem as cambalhotas de “Game of Thrones”. Estes dragões vestem a camisola azul e branca e cospem fogo na direção das balizas dos rivais. Houve uma época em que era tudo deles, pouca gente percebia como chegar perto desta comunidade. Com guerreiros, escritores e um killer, a guerra pelo trono assemelhou-se a um espetáculo a solo. O FC Porto festeja esta quarta-feira os 20 anos do pentacampeonato.

Tudo começou numa tarde de agosto de 94, nas Antas, com 50 mil olhos a testemunhar. Bobby Robson era o treinador e do outro lado, no banco do Sp. Braga, estava Manuel Cajuda. Baía, João Pinto, Zé Carlos, Jorge Costa, Paulinho Santos, Secretário, Rui Filipe, Emerson, Folha, Drulovic e Domingos contra Rui Correia, Zé Nuno Azevedo, Barroso, Sérgio, Jorge Ferreira, Andrade, Toni, Hélder, Bruno, Karoglan e Litos. Era a primeira jornada da temporada 1994/95: 2-0 para os da casa. O primeiro golo da caminhada que ditaria o primeiro e inédito penta do futebol português foi de Rui Filipe, o homem que partiu cedo demais, algo que Jorge Nuno Pinto da Costa não deixaria esquecer cinco anos depois.

As épocas do penta

FC Porto

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1994/95

Vinte e nove vitórias em 34 jornadas. Foi este o registo da equipa do especial Robson, que trouxe outro jeito de levar o futebol. Rui Barros regressou, Yuran e Kulkov davam um desgosto ao Benfica, Emerson e Latapy chegavam para ajudar. O FCP fez mais sete pontos do que o Sporting de Carlos Queiroz e 13 do que o Benfica de Artur Jorge. Vitória de Guimarães de Quinito e Farense de Paco Fortes garantiram a Europa, com o quarto e quinto lugares. Hassan, o matador de Faro, foi o melhor marcador (21 golos), seguido de Domingos (19) e Marcelo (17), o tal do golo-peixinho do Tirsense.

Mark Thompson

1995/96

O FCP até ganhou menos vezes (26) mas a distância foi maior: o Benfica acabou a 11 pontos e o Sporting a 17. Nesta época chegaram futebolistas como o batido Silvino, Edmilson, João Manuel Pinto, Lipcsei, Quinzinho e Bino. Domingos voltou a ser o melhor marcador (25), mais sete do que João Vieira Pinto, do principal rival. Constantino (Leça), Edinho (Vitória Guimarães) e Lewis (Felgueiras) assinaram 15 golos. O Boavista de Manuel José e o Vitória de Guimarães, que já ia no terceiro treinador (Jaime Pacheco), agarraram um lugar na Europa.

1996/97

E começa a era Jardel, o rapaz que calibrava o canhão como nenhum outro. O avançado brasileiro era de outro mundo, qualquer bola lhe queria beijar a testa. Com homens como Drulovic ou os novos dragões Artur e Zlakto Zahovic por perto, admitamos, a coisa ficava facilitada. Sérgio Conceição, Barroso, Wozniak, Lula e Fernando Mendes também aterraram na Invicta. Era uma equipa tremenda, que só descobriu o sabor da derrota em fevereiro, em casa com o Salgueiros (1-2). Até lá, a equipa de António Oliveira ganhou e empatou com o poderoso Milan na Liga dos Campeões e passou por cima do Benfica (5-0) na Supertaça. Jardel festejou 30 golos no campeonato, que acabou por ser conquistado com +13 pontos do que o Sporting de Robert Waseige (e depois Octávio Machado). O Benfica, a solidificar os tempos de lata, ficou a longínquos 27 pontos dos dragões. Jimmy Hasselbaink, do Boavista, foi o segundo melhor marcador, com 20 golos, mais quatro do que Gaúcho, do Estrela da Amadora. Que memórias, hein?

Michael Steele - EMPICS

1997/98

Mais uma moedinha, mais uma voltinha. Podemos já tratar de uma questão: o melhor marcador foi… Mário Jardel, pois claro, com 26 golos. Nuno Gomes marcou 18 e Ayew, do Boavista, 16. Capucho, Rui Correia, Secretário, Gaspar, Kenedy, Chippo, Doriva, Peixe e Pedro Henriques davam mais opções ao plantel. Mais uma vez, foi uma liga com folga: nove pontos para os benfiquistas. O terceiro lugar ficou para o Vitória de Guimarães de Quinito, que contava com Vítor Paneira, Gilmar, Edmilson e Riva - o Sporting fechou a época em quarto lugar. O confronto direto com os outros grandes nem foi muito famoso, mas esta temporada ficou marcada por uma daquelas tardes de Jardel. Foi para a Taça de Portugal, contra o Juventude de Évora. O avançado começou no banco e o marcador falava num murcho 1-0, cortesia de um penálti de Zahovic. A seguir, entrou Mário Jardel e tudo mudou: sete golos para o ‘16’ e 9-1 no final. O cara era o cara.

David Rawcliffe - EMPICS

1998/99

Depois do tetra, ficava a faltar mais um triunfo para o FCP garantir um lugar especial na história do futebol português. Fernando Santos deixou a vida pacata no Estrela da Amadora e mudou-se para as Antas. Foi o escolhido para executar o plano, o inédito penta. Chaínho, Fehér, Panduru, Kralj, Esquerdinha e Quinzinho (um regresso) eram reforços. E outro, que merece estar noutra oração: Deco, o mágico Deco. Vítor Baía juntou-se à festa em janeiro, depois de tempos difíceis em Camp Nou. Jardel - já cansa, certo? - foi o matador de serviço, com 36 golos (Nuno Gomes-24, Demétrios-16 e Silva-16). Na penúltima jornada do campeonato, num Sporting-Porto, os portistas entraram já campeões, beneficiando do 2-2 entre Farense e Boavista. Os axadrezados de Jaime Pacheco até deram luta, mas acabaram a oito pontos. Benfica e Sporting ficaram a 14 e 16 pontos.

Os números do penta

"Super Mario foi o melhor marcador do FC Porto ao longo do pentacampeonato, com 92 golos, seguido por Domingos Paciência (46) e Zlatko Zahovic (27)", pode ler-se no artigo publicado esta manhã pelo FC Porto. "Os 397 golos nas cinco edições do campeonato nacional foram marcados por 39 jogadores portistas diferentes, registando-se ainda dois autogolos, de Carlos Filipe (Gil Vicente) e Aurélio (Académica). Destaque para Rui Barros (23 golos) e Drulovic (21): para além de fazerem parte do restrito lote de jogadores verdadeiramente Pentacampeões, foram os únicos a marcar nas cinco temporadas."

Quanto aos jogadores com mais presenças nesta caminhada triunfal, Aloísio é o rei: o defesa central brasileiro, que passou pelo Barcelona, disputou 149 jogos. Seguem-se Drulovic (146) e Paulinho Santos (132). Apenas seis futebolistas viveram o penta de uma ponta à outra: Aloísio, Drulovic, Paulinho Santos, Rui Barros, Jorge Costa e Folha.

Matthew Ashton - EMPICS

A lista completa dos goleadores do penta: Mário Jardel (92 golos), Domingos (46), Zahovic (27), Edmilson (24), Rui Barros (23), Drulovic (21), Folha (13), Artur (11), Capucho (11), Sérgio Conceição (9), Aloísio (9), Emerson (9), João Manuel Pinto (9), Mielcarski (8), Jorge Costa (8), José Carlos (8), Latapy (6), Lipcsei (6), Quinzinho (6), Secretário (5), Paulinho Santos (5), Fernando Mendes (5), Doriva (5), Barroso (4), Yuran (4), Jorge Couto (3), Bino (2), Rui Jorge (2), Kulkov (2), Chippo (2), Chainho (2), Rui Filipe (1), Kostadinov (1), Baroni (1), Costa (1), Wetl (1), Gaspar (1), Peixe (1) e Esquerdinha (1).

A lista completa dos futebolistas que deram um pé no penta: Aloísio (149 jogos), Drulovic (146), Paulinho Santos (132), Rui Barros (125), Jorge Costa (106), Secretário (106), Mário Jardel (93), Folha (88), Zahovic (87), Domingos (77), Vítor Baía (75), João Manuel Pinto (72), Capucho (65), Artur (64), Fernando Mendes (61), Edmilson (61), Emerson (60), João Pinto (57), Sérgio Conceição (56), Rui Jorge (54), Latapy (42), Mielcarski (41), Rui Correia (38), José Carlos (36), Barroso (36), Doriva (30), Chippo (30), Chaínho (26), Kulkov (24), Yuran (23), Lipscei (23), Quinzinho (21), Hilário (21), Peixe (14), Jorge Couto (14), Baroni (14), Bino (13), Silvino (13), Esquerdinha (12), Wetl (11), Gaspar (9), Kenedy (9), Lula (9), Buturovic (9), Eriksson (9), Wozniak (7), Kralj (7), Deco (6), Panduru (6), Costa (6), André (5), Neves (5), Féher (5), Matias (5), Bandeirinha (3), Semedo (3), Vítor Nóvoa (3), Kostadinov (2), Cândido Costa (2), Nélson (2), Paulo Costinha (2), Rui Filipe (1), Jaime Magalhães (1), Jorge Silva (1), Rui Óscar (1), Alejandro Díaz (1), Ricardo Carvalho (1) e Carlos Manuel (1).

(fonte: site do FC Porto)