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Adeptos protestam contra condenação do FC Porto. “Os e-mails são verdadeiros. O feitiço pode virar-se contra o feiticeiro”?

Após o clube ter sido condenado a pagar €2 milhões ao Benfica pela divulgação de e-mails comprometedores para os encarnados, duas centenas e meia de adeptos portistas saíram à rua contra a justiça em Portugal, revoltados por se condenarem os denunciantes e se protegerem os corruptos. FC Porto vai recorrer, mas alerta que o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro por o tribunal ter dado como provado que os e-mails são genuínos

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Cerca de 250 adeptos portistas manifestaram-se, esta segunda-feira, junto ao palácio da Justiça do Porto, indignados com a decisão judicial que condenou o FC Porto SAD, o Porto Canal e Francisco J. Marques, diretor de Comunicação do clube e da estação televisiva, a pagarem € 2 milhões de indemnização ao Benfica pela divulgação de e-mails internos dos encarnados e troca de correspondência eletrónica entre Paulo Gonçalves e responsáveis e ex-responsáveis da Liga e da arbitragem nacional.

Para os sócios e simpatizantes dos Dragões, a justiça em Portugal não é igual para todos, alertando os manifestantes que os portistas “não são portugueses de segunda”. “Estamos indignados com a justiça deste país que não é igual para todos. É uma justiça que vincula o Francisco J. Marques ao Porto, clube e SAD, mas não vincula o Paulo Gonçalves ao Benfica no caso e-Toupeira. É surreal e terceiro-mundista esta tentativa de calar o Porto Canal”, afirmou ao Jornal de Notícias, Leonel Santos, um dos manifestantes, revoltado com uma decisão que diz servir os interesses do Benfica.

O protesto foi convocado através das redes sociais, aguardando Miguel Nascimento, um dos organizadores da manifestação, que o recurso judicial que o FC Porto vai apresentar reverta a condenação. “Se não der frutos em Portugal, há de dar na Europa”, refere o adepto ao JN, convicto que “na Europa protegem-se os denunciantes e condenam-se os corruptos”, enquanto em Portugal, disse, acontece o contrário.

Em causa para os revoltados está a sentença do Tribunal Cível do Porto que considerou que o Benfica sofreu perdas de receitas estimadas em € 523 mil e de danos não patrimoniais de € 1,4 milhões com a divulgação dos referidos e-mails no Porto Canal, num programa coordenado pelo diretor de comunicação do FC Porto. Os simpatizantes azuis e brancos, existe uma diferença de tratamento entre os dois clubes, dado no processo-crime e-Toupeira apenas ter sido constituído arguido o ex-diretor jurídico dos encarnados e não o Benfica, num caso que aponta para presumíveis crimes de tráfico de influências junto da arbitragem. De acordo com o FCP, as trocas de bilhetes entre elementos da FPF e do Benfica, relatórios de arbitragem, comunicações entre Paulo Gonçalves e responsáveis pela classificação dos árbitros, fazem parte do rol de indícios de alegada corrupção desportiva.

Apesar de o FC Porto já ter anunciado que irá recorrer da condenação, o clube chamou, contudo, a atenção, na sua newsletter Dragões Diário, para o lado positivo da sentença: “Os e-mails divulgados são genuínos, documentando efectiva correspondência trocada entre os respectivos remetentes e destinatários nos dias e horas neles consignados, com o exacto teor neles plasmado”.

Ao que o Expresso apurou junto de fonte próxima do FC Porto, o facto de “o Tribunal Judicial da Comarca do Porto reconhecer a veracidade de toda a documentação divulgada entre 2017 e 2018 no Porto Canal”, conforme se escreve na Dragões Diário, “não deixará de ser uma importante prova” no caso e-Toupeira. “O feitiço pode virar-se contra o feiticeiro. Ou seja, esta primeira sentença que condenou o FC Porto pode virar-se contra o autor do processo, ou seja, o próprio Benfica, que ao fazer-se de vítima na divulgação dos e-mails acabou por admitir a veracidade da troca dos mesmos”, frisa fonte afeta ao clube.