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O Bom, o Mau, o Herói e o Vilão do FC Porto-Fulham

No primeiro encontro de preparação com público, o FC Porto voltou a ganhar (já tinha vencido frente a Águeda, Varzim e Penafiel, por 6-0, 4-0 e 1-0, respetivamente, à porta fechada), mas ainda demonstrou muitas dificuldades em superiorizar-se frente ao Fulham, equipa da 2ª divisão inglesa. Este é o Bom, o Mau, o Herói e o Vilão, formato da Tribuna Expresso para resumir os encontros desta pré-época 2019/20

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Gualter Fatia

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O bom

É certo que os resultados na pré-época não contam para absolutamente nada, mas o adepto portista pode, ao quarto jogo amigável, encher o peito com mais uma vitória, o que nunca é mau para animar o sempre dúbio início de época. Particularmente, há que ressalvar o modo como os portistas conseguiram o único golo do jogo: um belíssimo pontapé de bicicleta de Otávio, que deixou o reforço Nakajima a sorrir com espanto.

Por falar em reforços, além do internacional japonês, que tem a árdua tarefa de fazer esquecer Brahimi (para já, começou bem), houve outros num onze inicial que deve estar muito próximo daquele que iniciará a competição oficial: Diogo Costa, Saravia (um - pelo que mostrou, deverá ser o lateral titular), Pepe, Marcano (dois - deverá ser o parceiro de Pepe no eixo, apesar das boas exibições de Osorio), Alex Telles, Danilo, Sérgio Oliveira (regressado de empréstimo - digamos que fez de Herrera), Nakajima (três - às vezes parece perdido, mas quando tem bola encontra-se), Otávio, Corona e Soares.

Mas até foi quando os putos entraram em campo (ver a secção "o herói" para mais pormenores) que o FC Porto se mostrou mais solto e confiante com bola, depois de ter sofrido em largos momentos com a boa construção e intenção de jogo ofensivo do Fulham de Scott Parker, que tem pouco a ver com a típica equipa do Championship inglês.

Nota também para a habitual "roda" que é feita pelos jogadores e staff portista no final do jogo, que esta noite contou com a participação especial de muitas crianças da escola de futebol Dragon Force, que realizou alguns jogos reduzidos ao intervalo do jogo dos graúdos. Às vezes esquecemo-nos, mas o futebol também serve para isto: deixar crianças felizes.

O mau

Primeiro, o que afetou ambas as equipas: o relvado. Não há nada como um estágio de pré-época no Algarve para animar as hostes, mas o Municipal de Albufeira foi um palco pouco digno para um jogo deste nível, com a relva a apresentar-se muito seca e com várias partes do campo a estarem até com terra, o que dificultou, por vezes, as questões técnicas.

Depois, o que sempre afetou o FC Porto de Sérgio Conceição: a pressa, a ânsia, a aceleração, enfim, tudo aquilo que traz sucesso mas, ao mesmo tempo, também insucesso à equipa. Depois de uma entrada pálida em jogo, os portistas tiveram muita dificuldade em construir jogadas com cabeça, tronco e membros, com o setor defensivo a recorrer frequentemente às bolas longas para aliviar a pressão inglesa.

O herói

Gualter Fatia

Para quem não viu o jogo, parecerá estranho, mas o grande destaque da noite nem entrou em campo: Iker Casillas. Antes do jogo, o novo membro diretivo portista esteve no banco e tirou fotos com quem lhas pediu; durante o jogo, passou para a bancada e ouviu frequentemente os adeptos a cantarem o nome dele; e depois do jogo voltou a ouvir elogios e pedidos de autógrafos. A retirada do guardião de 38 anos ainda não é certa - o FC Porto só disse que Casillas estaria com funções diretivas enquanto recuperava - mas, seja no relvado ou fora dele, Iker continua a ser o preferido dos adeptos.

Com menos idade mas com igual vontade de chegar a tal patamar estão os miúdos portistas, que demonstraram que a formação do FC Porto, que venceu a Youth League, tem qualidade... caso haja vontade de aproveitá-la. Tomás Esteves, lateral direito de apenas 17 anos, entrou de forma impecável no jogo, brilhando mais do que os colegas, mas a restante juventude também não desiludiu: Diogo Costa, Diogo Leite (que foi capitão e, depois, teve de atuar a lateral esquerdo, apesar de ser central), Diogo Queirós, Romário Baró, Bruno Costa e, por fim, Fábio Silva, jovem de apenas 16 anos que não tem o perfil habitual dos avançados portistas (é bem diferente da constituição física de Marega, Soares, Zé Luís e Aboubakar), mas espalha classe com bola no pé.

O vilão

Claro que a pré-época ainda mal começou, mas Soares está com a pontaria bem desafinada: isolado, na pequena área, conseguiu a proeza de acertar na trave. Do mesmo modo, o reforço Zé Luís foi pouco feliz no (pouco) tempo em que esteve em campo, conseguindo estragar uma das raras ocasiões prometedoras de finalização da 2ª parte. Antes, Corona, que fez de segundo avançado, também falhou uma oportunidade clara. Aboubakar, já recuperado, jogou pouco mais de meia dúzia de minutos, pelo que não foi percetível que rendimento poderá ter e Marega estará provavelmente de saída... Faltará poder de fogo no ataque portista?