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O novo FC Porto não é mais do que uma cópia do antigo

O FC Porto apresenta-se este sábado, no Dragão, frente ao Mónaco (19h, Porto Canal), mas os adeptos não terão muitas dificuldades em reconhecer a equipa de Sérgio Conceição para 2019/20, já que a ideia de jogo mantém-se a mesma, explica o analista Tiago Teixeira

Tiago Teixeira (analista de futebol)

Carlos Rodrigues

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Depois da uma época em que o FC Porto viu fugir a hipótese de ser bicampeão, Sérgio Conceição – que vai para a sua terceira época como treinador dos azuis e brancos – tem agora a responsabilidade de provar que o seu primeiro ano no clube, no qual conquistou o campeonato e impediu o inédito penta do Benfica, não foi um ato isolado.

Conseguirá fazê-lo?

O novo FC Porto, que é uma cópia do antigo

Como era previsível, a pré-época tem demonstrado que o novo FC Porto não traz novidades nenhumas no que diz respeito à sua ideia de jogo, nem tão pouco relativamente à organização tática nos vários momentos do jogo.

Sérgio Conceição continua a demonstrar ser fiel a um futebol agressivo, físico e rápido, e a ter como sistema preferencial o 4-4-2, quer no momento ofensivo quer no momento defensivo.

Em ataque posicional, os posicionamentos base não irão fugir muito do que se tem visto durante os jogos de pré-época. Os dois médios, Danilo – titular indiscutível – e Sérgio Oliveira – principal candidato ao lugar de Herrera – aparecem quase sempre fora do bloco adversário, posicionados de perfil.

Os dois extremos, Nakajima e Corona (também atuou a avançado), deverão ser as principais escolhas, e têm liberdade para ocupar as zonas interiores, nomeadamente o espaço entre a linha defensiva e a linha média adversária, deixando a largura para os respetivos defesas laterais.

Na frente, os dois avançados, como já é imagem de marca neste FC Porto, estão sempre preparados para realizar movimentos de rutura e explorar as costas da linha defensiva adversária. Com Zé Luís, Soares, Marega e Aboubakar, Sérgio Conceição tem o perfil de avançado que mais gosta e melhor encaixa no futebol vertical que tanto aprecia.

No momento defensivo, nada de novo em relação à época anterior. O FC Porto continua a defender em 4-4-2, com a primeira linha defensiva a ser composta pelos dois avançados (sempre muito disponíveis para pressionar os defesas adversários e muitas vezes na diagonal para proteger o espaço interior) e o setor intermédio com os extremos a juntarem-se aos médios para formarem uma linha de quatro.

Nos momentos em que procuram condicionar a construção adversária logo numa fase inicial, os portistas mantêm uma estrutura posicional que continua a ser uma espécie de 4-4-2 losango, com um dos médios a aproximar-se mais dos dois avançados e os extremos a fechar mais o corredor central junto do outro médio.

Dos três grandes, o FC Porto foi aquele que mais titulares perdeu em relação à época anterior, e apesar de já se ter reforçado com vários jogadores, é muito provável que ainda cheguem mais reforços até ao início do campeonato ou, em último caso, até ao fecho do mercado de transferências.

Baliza

Gualter Fatia

Sem Iker Casillas, que foi a grande figura da baliza portista nos últimos anos, o FC Porto está no mercado por um guarda-redes que possa assumir-se como número 1 (Kevin Trapp, do PSG, tem sido o nome mais falado). Enquanto isso, o jovem Diogo Costa, de apenas 19 anos, tem aproveitado para provar que o futuro está assegurado, tal é a qualidade e o potencial que demonstra em cada oportunidade que lhe é dada. Há ainda Vaná, que lutará com Diogo Costa pela posição de segundo guarda-redes.

Defesa

Depois das saídas de Felipe e Militão, o FC Porto foi ao mercado e contratou alguém que já conhece bem os cantos à casa, Iván Marcano. Com o central espanhol, o FC Porto garante muita qualidade no momento da construção (passe curto e longo) e oferece a Sérgio Conceição a experiência que ele procurava. Em comparação com Militão, perde claramente a nível defensivo, principalmente no controlo da profundidade.

Há ainda Pepe (será titular ao lado de Marcano), os jovens Diogo Leite (central com mais potencial do plantel) e Diogo Queirós, e Mbemba e Osorio (central com muita qualidade com bola), pelo que o eixo central não deverá receber mais nenhum reforço até final do mercado de transferências.

Nos corredores laterais, Alex Telles é neste momento o único com lugar assegurado no 11 inicial. Manafá surge como alternativa do lado esquerdo, embora seja provável que o FC Porto acabe por contratar outro lateral esquerdo para ser o suplente de Telles.

Do lado direito, Renzo Saravia, contratado ao Racing, tem características que certamente agradam muito a Sérgio Conceição, como por exemplo a agressividade nos duelos e a disponibilidade física, pelo que deve ser a principal opção. Manafá e Tomás Esteves (lateral de 17 anos mas com um potencial tremendo) são as outras hipóteses para o lado direito da defesa portista.

Meio-campo

Quality Sport Images/Getty

No eixo central, Danilo, por tudo o que oferece no momento defensivo, é o único médio com a titularidade garantida, sendo que Loum deve assumir-se como o suplente do internacional português.

Com a saída de Óliver e o regresso de Sérgio Oliveira, o FC Porto perde, claramente, muito em termos ofensivos. O médio espanhol, embora não fosse um titular indiscutível com Sérgio Conceição, era o único médio criativo do plantel, e aquele que podia oferecer outro tipo de soluções em ataque posicional. Apesar de haver Bruno Costa e Romário Baró, este último tem sido muito utilizado no corredor lateral direito, é muito provável que o FC Porto vá ao mercado contratar mais um médio, com um perfil parecido ao de Herrera, ou seja, com chegada à área adversária, com muita disponibilidade física e forte nos duelos defensivo.

Com a saída de Brahimi, o FC Porto perdeu o jogador mais desequilibrador que teve nos últimos anos, mas neste momento, os corredores laterais não são um problema para Sérgio Conceição. As contratações de Nakajima e Luiz Díaz oferecem muita qualidade às alas, uma vez que são dois jogadores com muita capacidade técnica, criativos e com capacidade para jogar por zonas interiores. Há ainda Corona e Otávio (também podem jogar como segundo avançado) e o regressado Galeno, pelo que Sérgio Conceição tem ao seu dispor muito talento para os corredores laterais.

Ataque

Carlos Rodrigues

Na zona central do ataque, e como não poderia deixar de ser tendo em conta a ideia de jogo de Sérgio Conceição, o FC Porto conta com avançados muito fortes fisicamente, muito capazes de realizar movimentos de rutura e explorar a profundidade, sendo também muito disponíveis no momento de pressionar a construção adversária. Falo de Marega, Soares, Aboubakar e do reforço Zé Luís.

Mas nem só de força e velocidade se faz o ataque do FC Porto. Fábio Silva, de apenas 17 anos, tem sido um dos grandes destaques da pré-época, e apesar de não ser provável que venha a ser uma aposta regular durante a época, tem tudo o que é preciso – qualidade técnica, criatividade e decisão – para ser a grande figura do ataque azul e branco nos próximos anos.