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O FC Porto cruzou muito. Corona acertou um em nove

O FC Porto cruzou a bola 34 vezes para a área do Krasnodar e 18 aconteceram na segunda parte, quando a equipa passou a tentar atacar a baliza russa ainda mais dessa forma, por fora e deixando vários jogadores na área. Fê-lo através de dois jogadores em particular, responsáveis por metade desses cruzamentos após o intervalo. Um deles só acertou uma bola que cruzou para a área em todo o jogo e, mesmo assim, a equipa continuou a 'forçá-lo' a cruzar

Diogo Pombo

Carlos Rodrigues

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O FC Porto alterou-se, de facto. As linhas avançaram no campo, a pressão do par de médios nas segundas bolas tornou-se rentável, a intensidade em cada jogador subiu. Ao mesmo tempo, o Krasnodar encurtou os metros entre quem jogava atrás, ao meio e à frente, encostou-se à área, tirou profundidade e lá se resguardou contra o que terá previsto de uma equipa que já fora previsível na primeira parte.

Os cruzamentos, os 34 cruzamentos contados pela InStat.

Tendo já Zé Luís ao lado de Marega, ou à frente dele, a equipa deslocou falsamente Nakajima para a direita. O japonês, tendo queda para o centro do campo, onde a teoria tem mais jogadores com quem tocar, tabelar e jogar, mas onde a prática do FC Porto não os coloca, pedia muito a bola ao meio. Arrastava a marcação de um médio russo e vagava espaço para Jesús Corona, o improvisado lateral, ter relva para pisar os últimos 30 metros do ataque.

O mexicano cruzou cinco bolas para a área na segunda parte - porque, na prática, tinha mesmo de o fazer. Só na jogada do último cruzamento tinha alguém (Nakajima) a menos de cinco metros, a tentar dar uma linha de passe, embora estivesse marcado e sem posição para oferecer uma progressão que desse jeito. Nos quatro anteriores, Corona recebeu a bola sem apoios, sozinho perante, pelo menos, um adversário. A intenção era que cruzasse.

Quando cruzou essas bolas, o FC Porto tinha na área quatro jogadores, depois cinco, outros cinco, de novo cinco e dois. Apenas em duas dessas situações havia igualdade numérica entre quem atacava e os que defendiam. Na última vez, os dois que os dragões lá tinham estavam apenas a entrar na área e a começar os movimentos de antecipação.

Apenas um cruzamento de Jesús Corona chegou a alguém do FC Porto (à cabeça do desamparado Uribe, sem uma réstia de perigo). Terminou o jogo com 11% de eficácia, dizem os dados da InStat.

Para uma bola cruzada contar, as coisas não dependem só de quem cruza. Há que curvar, cortar, levantar ou bater bem a bola rasteira, mas também há que escolher o timing certo, a zona certa do campo. E, na área, quem é suposto ser o destinatário tem que conhecer quem cruza, saber movimentar-se (antecipar a frente do adversário, simular um ataque ao primeiro poste para dar uns passos atrás e enganar a marcação, por exemplo) e respeitar o que é treinado e repetido.

Não vemos o que são os exercícios de finalização do FC Porto no treinos. Mas, nos jogos, há muito que está à vista que é no pé esquerdo de Alex Telles que está a melhor aptidão para cruzar uma bola para a área, sobretudo tensa, com força e em curva.

Carlos Rodrigues

O brasileiro cruzou oito bolas, metade a seguir ao intervalo. Dessa, a primeira foi um balão quase para fora, com um 3x4 na área; a segunda deu golo, com uma situação de 5x5 em que a linha do Krasnodar ainda estava a ajustar os apoios e as posições, porque a bola cruzada veio da sobra de um cruzamento falhado por Nakajima; a terceira (2x4) foi cortada; e a quarta também (6x6), já em tempo de compensação.

Alex Telles teve 50% de acerto nos cruzamentos pois, na primeira parte, três chegaram a pés portistas, embora os números crus não expliquem tudo: dois acabaram do lado oposto do campo, fora da área, a serem apanhados por alguém, o outro foi à cabeça de Marega.

Na segunda parte, talvez pela pressa e urgência, o brasileiro cruzou bolas mais afastado da área do que Corona - o que, em caso de falhas de concentração ou distrações dos jogadores do Krasnodar, poderia tentar quem defende a virar as costas à baliza, não ter os apoios a jeito para controlar a posição do adversário e só olhar para a bola. A previsibilidade de ser o cruzamento a opção de ataque, porém, reduziu as hipóteses de tal acontecer.

E, sendo tão repetido, tão requerido aos mesmos jogadores, só resultou uma vez.

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