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“Ouvi o Drulovic dizer que, se eu perdesse, os adeptos iam pedir a minha cabeça. Dou tudo ao FC Porto, levem a cabeça se quiserem”

O treinador do FC Porto lançou o clássico de sábado em conferência de imprensa e negou que estivesse a pensar especificamente em como anular Rafa. “Não nos interessa o Rafa, o Mantorras ou o Rui Costa”, brincou

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FERNANDO VELUDO

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Um mundo novo?

“Não vejo as coisas por aí. Com a informação que existe hoje, a análise que é feita pelos departamentos de análise e pelas equipas técnicas, os detalhes, etcetera, não há grandes segredos. Há a preparação do jogo e, independentemente de se conhecer o adversário, o foco está, no meu caso, no FC Porto. O Benfica tem um dos plantéis dos mais fortes dos últimos anos e temos de tentar ganhar.”

A emoção é diferente?

“A emoção vale por vestirmos a camisola que tem este símbolo. Esta é a nossa responsabilidade. O clássico é um clássico, um jogo que toda a gente gosta de disputar. Agora, a motivação não tem de vir do 4-0 contra o Setúbal ou uma vitória contra um rival. A motivação tem de ser diária. O espectáculo? O espectáculo é tudo isto, a conferência de imprensa. Ele, o Bruno Lage, também vai deixar sair um soundbite ou outro, como se costuma dizer. Isto é que é importante, Depois, é onze contra onze,onde a preparação do jogo é fundamental: no plano emocional, físico, técnico e tático, e também estratégico, não olhando especificamente para um ou outro jogador do Benfica. Não estamos focados no Rafa, no Mantorras, no Rui Costa. Estamos preocupados com a dinâmica do Benfica, que tem uma variabilidade interessante de movimentos no ataque, com largura. Em momentos que não temos a bola, temos de estar preparados. E quando temos, o Benfica também se sente confortável assim, para tentar contra-atacar. Isto é que é o espetáculo. O que queremos é vir de Lisboa com os três pontos.”

Nakajima

“Nakajima? Como vocês sabem, o futebol faz parte da vida, mas não é a vida. Há coisas mais importantes e dei licençaao Nakajima, de pai para pai, para ele viajar até ao Japão num momento importante da sua vida. E também, já agora, dou-lhe os parabéns, porque ele faz anos hoje.”

Pontos fracos

“Como bater o Benfica? Seguramente, olhando para o caudal ofensivo do Benfica e para o momento defensivo também. Não quero dar aqui uma de professor catedrático. Não quer dizer que não cometa erros, mas se calhar os adversários não foram eficazes a aproveitar esses momentos. Há sempre momentos a explorar, fragilidades que acontecem. Percebendo isso, temos de preparar o jogo da melhor forma, para podermos fazer golos e não sofrer. Digo sempre: prefiro ganhar por 1-0 do que por 2-1.”

O novo guarda-redes

“Olhamos para as caraterísticas de um jogador antes de um tentar trazer. E o Marchesin é fundamental para arrancar as nossas jogadas, em posse, e também é importante que seja rápido a sair e eficaz no um contra um. Olhamos para isso, para aquilo que na nossa opinião são os pontos mais fortes do jogador”.

O comunicado do Benfica

“O Rafa é um elemento importante na dinâmica do Benfica [o clube encarnado lançou um comunicado, dizendo que o avançado estava a ser particularmente castigado pelos adversários], principalmente nos ataques rápidos, contra-ataques, situações de aceleração com bola. Ele provoca faltas, mas isso acontece também com o Brahimi ou com o Luís Diaz. Mas o Benfica já provocou 19 cartões amarelos e dois vermelhos em três jogos oficiais. Agora, caça ao Rafa? Não vejo caça a ninguém. Não estamos preocupados com situações individuais.”

Clássicos são fundamentais?

“Têm sempre o seu peso, mas digo-vos isto: o FC Porto bateu o recorde de pontos duas vezes nos últimos dois anos, mas só ganhou um título. Os pontos não se festejam. Os clássicos são importantes, desde que os outros jogos se ganhem. Também incluo o Braga neste lote de candidatos, espero que o Sá Pinto não leve a mal, como o Abel levou há dois anos. Há 102 pontos em disputa e nós só vamos na terceira jornada.”

Benfica é favorito?

“Sinceramente, não vejo as coisas por aí. Nós preparamos a equipa de uma forma confiante, focados no nosso trabalho, muito motivados para ganhar o jogo. Depois, tudo o que se possa passar, essa envolvência dos momentos ou das estatísticas.... isso fica tudo em banho-maria quando o árbitro apita. Já agora, ouvi o Drulovic a dizer que, se perdesse, os adeptos do FC Porto iam pedir a minha cabeça. Bom, o Drulovic é um amigo... Eu dou tanto, dou tudo ao FC Porto, também podem levar a cabeça se quiserem. Daqui a pouco dizem que estamos todos com a corda na garganta.”

As caras novas

“Todos os jogadores do FC Porto estão habituados a jogar por títulos nos seus clubes e nas suas seleções. Não há aqui ninguém ingénuo. Mas, obviamente, que é só com o tempo que as coisas melhoram. Com tempo e com trabalho.”

Quem joga?

“Isso era entrar na estratégia do jogo. Bom, o sistema tático, a estruturafoi sempre a mesma, tirando um jogo... que por acaso não correu bem. Aquilo que é a base é a mesma. Nós podemos é provocar situações diferentes no nosso 4x4x2, com dois avançados mais fortes ou menos fortes, com dois laterais mais ofensivos ou não. E também é preciso ter o tal equilíbrio no momento da perda da bola.”