Tribuna Expresso

Perfil

FC Porto

O que foi e o que podia ter sido

O FC Porto venceu por 3-0 o V. Guimarães e isto são os factos. Mas a resposta dos minhotos depois de se verem a jogar com menos um jogador desde os 45 segundos de jogo deixa no ar a dúvida: quão bom poderia ter sido este jogo se estivessem onze de cada lado?

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOP/Getty

Partilhar

É um exercício que se pode fazer sempre, mas há jogos em que ele faz mais sentido do que em outros. Mas para já, vamos às verdades insofismáveis: o FC Porto marcou três golos, o V. Guimarães ficou em branco e isso dá 3 pontos para o FC Porto e zero pontos para o V. Guimarães. Isto foi o que o jogo foi.

Mas, e voltando ao tal exercício, o que poderia ter sido este jogo se Carlos Xistra não tem mostrado vermelho direto a Tapsoba aos 45 segundos? Tudo o que se poderá dizer sobre isso será, sempre, uma suposição, mas diria que, pelo que se passou nos 89 minutos seguintes, este jogo teria sido muito diferente. E muito diferente para melhor, o que é só frustrante para chega ao final e percebe que viu um jogo com oportunidades e golos, mas desinteressante, quando podia ter visto um jogo frenético, bem jogado, mesmo que até pudesse nem ter tido tantas oportunidades.

Porque o que o V. Guimarães jogou no Dragão, com menos um durante quase todo o jogo, as dificuldades que criou, a forma positiva como continuou fiel à sua ideia, fiel à ideia de ter bola, só podia dar um jogo melhor do que aquele que vimos.

O FC Porto ganhou 3-0, com dois dos golos marcados já na reta final da partida, com o Vitória a jogar com nove e fisicamente derreado.

E por muito que a vitória seja justa, ficamos todos a pensar no que podia ter sido este jogo.

Mas voltemos então àquilo que foi. Depois da expulsão de Tapsoba, a 1.ª parte deu pouco mais que o golo de Marega, aos 14’, com o maliano a sentar Bondarenko antes de rematar, a grande oportunidade de Rochinha aos 18’, permitindo a defesa a Marchesín, as muitas faltas, as lesões de Al Musrati e Pepe e a vontade do V. Guimarães ter bola e ditar o curso do jogo, mesmo na adversidade.

Quality Sport Images

A 2.ª parte começou mole, até o jogo abriu, e muito, nos últimos 20 minutos, com os guarda-redes a brilharem dos dois lados. Aos 74’, Miguel Silva, mesmo em desequilíbrio, opôs-se bem a um remate de Romário Baró, com Marchesín a responder com uma grande defesa a um remate muito perigoso de Lucas Evangelista à entrada da área.

Aos 79 minutos, o V. Guimarães passou a jogar com nove, depois de Carlos Xistra expulsar Davidson, aparentemente por protestos e a partir daí, com naturalidade, o FC Porto encontrou mais espaços. Miguel Silva salvou o 2-0 aos 80’, num remate de Marega, e aos 87’, numa bomba colocadíssima de Danilo, mas acabou por errar no lance que daria o segundo golo ao FC Porto: não segurou um remate fraco de Luiz Dias e, na recarga, Marcano marcou.

Com muito terreno desocupado para desbravar, o FC Porto chegaria ao 3-0 numa boa jogada de entendimento do ataque, com Marega a fazer o bis, e o V. Guimarães, já em esforço, ainda teve alma para quase reduzir - o remate de Teixeira foi travado por mais uma grande intervenção de Marchesin.

Os números dizem 3-0, mas são cruéis para o V. Guimarães. E para quem gosta de futebol. Porque este jogo tinha tudo para ser um grande jogo.