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Serviços mínimos e o ai jesus

O FC Porto marcou cedo mas não se impôs e nos últimos minutos sofreu para arrancar uma vitória por 1-0 em casa do Rio Ave, que começou assim-assim e acabou a encostar os dragões às cordas

Lídia Paralta Gomes

MANUEL FERNANDO ARAUJO/EPA

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Há equipas que, para nosso bem, já não dão para o peditório dos conjuntos aguerridos e guerreiros e lutadores e do “pequeninos mas honrados”. Há equipas, para nosso bem, que não nasceram grandes, mas se fartaram do à retranca, todos cá atrás juntinhos, do pontinho arrancado com muito suor. O Rio Ave é já há uns anos uma das equipas da revolta e isso só nos faz bem a nós e se calhar não tão bem aos tais que nasceram grandes, porque têm mais trabalho e já não lhes é garantido um jogo em que são os únicos donos da bola.

Nem todos os dias corre tudo bem a essas equipas, é certo. Mas é muito mais provável ver-lhes a revolução do que em outros. Os últimos 10 minutos do Rio Ave frente ao FC Porto esta noite em Vila do Conde foram uma tentativa de revolta depois de uma entrada atabalhoada, porque quem nunca teve um daqueles dias em que tentou e tentou à sua maneira mas nada resultou?

O Rio Ave quis fazer as coisas à sua maneira desde início, jogando de trás, com paciência, mas o FC Porto soube arrefecer o jogo, como que a não permitir as traquinices dos mais pequenos. E ajudou aquele golo logo aos 12 minutos, um cabeçada triunfal e musculada de Marega após um canto marcado por Alex Telles.

O golo, diga-se, não deu força ao grande nem inspirou o mais pequeno. A 1.ª parte seguiu insípida e sensaborona, como se o FC Porto tivesse feito a curta viagem entre o Dragão e Vila do Conde em serviços mínimos, à procura de cumprir academicamente o seu dever e voltar para casa com os três pontos, secando o adversário e não se matando para alvejar de toda a maneira e feito a baliza adversária, ainda que a inclusão de Nakajima no onze tenha dado um bocadinho mais de mobilidade ao jogo do FC Porto.

Acontece que, por estes dias, serviços mínimos é quase tão arriscado quanto partir desalmadamente e sem freio para o ataque. A molenguice da 1.ª parte só terminou com a primeira de duas bolas que Alex Telles enviou aos ferros na sequência de livres diretos, mas era só mesmo de bola parada que o FC Porto criava perigo iminente junto da baliza de Kieszek.

MANUEL FERNANDO ARAUJO/EPA

Por esta altura, já Carlos Carvalhal tinha chamado Taremi a jogo e o iraniano esteve muito perto de deixar o FC Porto em apertos. Aos 63’, recebeu um passe a rasgar e em frente a Marchesin picou a bola com classe. O lance acabou anulado por um fora de jogo de 63 centímetros, mas estava o aviso feito: bastava que a bola aparecesse em condições que Taremi trataria do resto.

Depois de Zé Luís falhar aquela que foi provavelmente a melhor oportunidade do FC Porto em bola corrida, num remate em arco que Kieszek defendeu com classe, Sérgio Conceição, temendo talvez o avanço das tropas vilacondenses, fez entrar o músculo de Mbemba para o lugar da magia de Nakajima. Deu jeito para conter o adversário, mas o certo é que a partir daí começa o período mais perigoso do Rio Ave, que ganhou a bola para nunca mais a largar.

Primeiro de forma mais associativa e depois mais no desespero, o Rio Ave foi atrás do empate, mas faltou sempre algum critério no hora de servir Taremi. A melhor oportunidade da ofensiva final dos da casa foi um cabeceamento de Aderllan Santos aos 85’, que Marchesin agarrou com segurança. Mas ainda assim serviu para assustar um FC Porto que andou com o credo na boca depois de não ter sabido na 1.ª parte capitalizar o golo e que só esteve perto de voltar a marcar em dois livres diretos de Alex Telles.

É o que acontece quando se decretam serviços mínimos.