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FC Porto SAD encerra contas de 2018/19 com lucro de €9,47 milhões. Capitais próprios seguem no vermelho

Exercício consolidado da época passada saltou dos €28,44 milhões negativos para os €9,47 milhões, mas nem tudo são boas notícias no reino do Dragão. Passivo segue acima dos €400 milhões e SAD mantém-se em falência técnica, com capital próprio negativo de €34,8 milhões. Fora da Champions, administração terá de realizar mais-valias de €65 milhões até 30 junho

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O plantel do FC Porto está avaliado em €250 milhões, de acordo com o Transfermarkt

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O FC Porto SAD apresentou, esta quinta-feira, as contas finais da época de 2018/2019, fechadas com um lucro consolidado de € 9,47 milhões, um cenário bem mais azul do que no exercício anterior (€ 28,4 milhões negativos). Fernando Gomes, administrador da SAD para a área financeira, destacou para a obtenção deste resultado a entrada nos cofres portistas de quase € 81 milhões de receitas da Liga dos Campeões, em 2017/18, face “à excelente” prestação da equipa de Sérgio Conceição (afastada nos quartos-de-final da prova pelo Liverpool), e ainda a entrada em vigor do novo contrato dos direitos televisivos, celebrado em 2015 com a Altice.

“A presença nas provas da UEFA rendeu € 80,971 milhões, contra os € 30,926 milhões da época anterior, enquanto e os direitos de transmissão valeram € 42,561 milhões, mais 79,5% que no exercício anterior”, referiu Fernando Gomes, que indicou também como relevante para as contas as receitas de bilheteira, que cresceram 10,3% (€ 9,62 milhões, quase mais € 1 milhões em comparação com o período homólogo).

O responsável pela área administrativo-financeira recordou que o clube se encontra há três anos sob o cumprimento do acordo do ‘fair play’ financeiro com a UEFA, cenário que, apesar espartilho de austeridade, “até tem permitido folgas” de uma época para a outra. “Para o próximo ano não podemos ter prejuízo, mas estamos calmos quanto ao cumprimento do ‘fair play’, dado que as contas de 2018/19 deixaram uma almofada de € 22,2 milhões”, afiançou o administrador do FC Porto.

O relatório e contas de 2018/19 foi marcado por um aumento de quase 12,6% nos custos, inflacionado pelo pagamento de prémios pelo título de campeão nacional e por rescisões de jogadores, o que não inibiu que os resultados operacionais, excluindo passes de jogadores, tenham atingido a fasquia de € 25,73 milhões, quando no exercício anterior foram de quase € 30 milhões negativos. O ‘cash-flow’ operacional mais do que duplicou e é agora de € 73,8 milhões, enquanto a venda de jogadores rendeu € 42,65 milhões, de euros, mesmo assim menos 14,7% do que na época transacta.

Segundo Fernando Gomes, a“diminuição global dos empréstimos” permitiu reduzir o passivo da SAD em € 56 milhões, embora a dívida acumulada continue no vermelho escuro: € 408,1 milhões negativos. Igualmente negativo é o capital próprio da SAD, situado nos € 34,8 milhões, apesar de um melhoria de quase € 4 milhões.

Pouco animador é ainda o quadro financeiro para a época em curso, marcado pelo afastamento precoce da equipa da Champions, atirada pelos russos do Krasnodar para o campo da parente pobre Liga Europa, o que irá agravar os constrangimentos financeiros do clube.

“Não estávamos à espera. São € 50 milhões previstos que nos vão falhar”, preveniu Fernando Gomes, acrescentando que o clube terá que realizar até 30 de junho de 2020 mais-valias de transferências na ordem dos € 65 milhões. O administrador da SAD afastou, contudo, a pressão de vender de jogadores em janeiro, na abertura do mercado de inverno

O valor do plantel situava-se em € 74,990 milhões a 30 de junho de 2019, menos € 9 milhões do que na época anterior, mas Fernando Gomes considera que “é muito inferior ao seu real valor”, devido às amortizações anuais dos jogadores, calculo que baseia nas estimativas de sites especializados em futebol, como o alemão Transfermarkt, que avalia equipa portista em € 250 milhões de euros.