Tribuna Expresso

Perfil

FC Porto

Marcano e o Halloween

Numa noite de grande desinspiração do FC Porto, central espanhol mascarou-se de avançado e foi lá à frente fazer o único golo da vitória frente ao Desportivo das Aves. E um golo que muitos atacantes teriam dificuldade em marcar

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOPA/Getty

Partilhar

O dia das bruxas já lá vai, mas o FC Porto que este domingo entrou em campo para defrontar o Desportivo das Aves parecia ainda bem dentro do dia 31 de outubro. Não só pelo jogo a resvalar para o assustador - nunca no bom sentido -, mas porque se apresentou com um central disfarçado de avançado e a quem bem tem que agradecer a vitória magra por 1-0.

Porque aquele lance aos 13 minutos acabaria mesmo por definir a partida. O grande passe de Otávio para o segundo poste e Marcano, sozinho, esquecido, a fazer um meio pontapé de moinho, como se de um grande e mortífero avançado se tratasse. E a bola seguiu colocadíssima para a baliza, batendo ainda na parte interior do poste, com aquele som seco de uma bola que já não vai ter outro destino que não seja o fundo das redes.

Sem brilhar, o FC Porto foi a equipa que controlou na 1.ª parte e aos 32 minutos só não aumentou a vantagem porque Aflalo respondeu com uma grande defesa a um bom remate de Luís Diaz. Mas com o apito para o intervalo ficou a dúvida: que FC Porto teríamos a seguir? O FC Porto dominador do encontro com o Famalicão, ou o FC Porto pouco fluído dos Barreiros?

A resposta não foi boa para Sérgio Conceição. O FC Porto entrou mal na 2.ª parte, fez por momentos o D. Aves acreditar e ter bola e mesmo quando voltou a controlar não mais conseguiu criar situações de perigo iminente, pelo menos em bola corrida. Aflalo só foi novamente colocado à prova aos 65 minutos numa grande cabeçada de Pepe na sequência de um canto - o guarda-redes do Aves, com grandes reflexos, sacudiu a bola para a trave.

MIGUEL RIOPA/Getty

Curiosamente, ou não, o encontro só parece ter estabilizado para o lado do FC Porto com a entrada do colombiano Uribe, preterido por Sérgio Conceição no onze em vez de Bruno Costa, mas que parece já neste momento fazer demasiada falta aos dragões.

Os três pontos estão lá, a perseguição ao Benfica também, o FC Porto voltou a não sofrer golos em casa, mas a exibição foi pobre, principalmente na 2.ª parte. Aliás, os dragões fecham este jogo com o pior registo do ano em termos de remates em jogos para o campeonato em casa: apenas quatro, quando o anterior mínimo era de sete, frente ao Santa Clara.

O Halloween já lá vai e o FC Porto precisa de decidir o caminho das trevas ou do céu. Neste momento parece estar apenas no purgatório, esperando com a incerteza das mãos atadas o seu destino.