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Se te sentes sinistro, FC Porto

O FC Porto saiu derrotado de Glasgow frente ao Rangers por 2-0, após uma exibição pobre e em que as experiências de Sérgio Conceição não resultaram. A Liga Europa está, agora, em perigo: os dragões são últimos do grupo e ganhar os dois jogos que restam é um imperativo

Lídia Paralta Gomes

Ian MacNicol/Getty

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A canção dá nome ao álbum e o álbum é dos Belle and Sebastian e os Belle and Sebastian estão aqui porque são rapazes e raparigas nascidos em Glasgow mas também por outras coisas. Porque às tantas, nesta canção em que muita gente se sente sinistra, Hilary entra numa igreja e o pastor diz-lhe umas banalidades que não lhe interessam por aí além, porque ela na verdade só lá passou porque queria saber how and why and when and where to go.

E devem ser estas as questões que passam pela cabeça do FC Porto depois de sair desta cidade cinzenta da Escócia com uma derrota por 2-0 frente ao Rangers. Como e porque e quando e para onde ir depois disto, e não estamos aqui a falar literalmente mas metaforicamente, claro.

Porque para lá derrota, o FC Porto falhou, num jogo em que na 2.ª parte nem sequer um remate à baliza fez, altura em que a estratégia de Sérgio Conceição ruiu. O treinador dos dragões apostou numa tática de três centrais e dois laterais muito projetados para tentar conter os laterais adversários e ter mais presença no meio-campo, depois de no jogo do Dragão o FC Porto ter sentido muitas dificuldades precisamente nesses dois momentos. E se num momento inicial a equipa portuguesa de facto teve bola, rapidamente o Rangers pareceu adaptar-se à surpresa que vinha de fora, apesar da melhor oportunidade da 1.ª parte até ter pertencido ao FC Porto, num remate de cabeça de Soares à passagem da meia-hora que McGregor travou com todos os seus reflexos.

Algures a meio da 1.ª parte começaram a aparecer os contra-ataques do Rangers, aos quais demasiadas vezes o FC Porto respondeu com tentativas de jogar na profundidade, com bolas longas que nunca encontraram uma boa receção. Valeu ao FC Porto a completa falta de pontaria do Rangers que acabou por nunca criar verdadeiro perigo para a baliza de Marchesín, apesar de por lá ter rondado muito.

Na 2.ª parte, a entrada de Luís Díaz para o lugar de um lesionado Pepe não significou o regresso a um sistema mais familiar para o FC Porto, como seria de esperar, mas sim um insistir na tática de três centrais. E ainda antes de Manafá quase acertar na baliza aos 67’ numa das únicas jogadas em que o FC Porto imprimiu velocidade no ataque, já o Rangers tinha tomado conta do jogo, com o primeiro golo a surgir logo a seguir.

Alan Harvey - SNS Group/Getty

Aos 69 minutos, e numa das primeiras vezes em que teve espaço, o colombiano Morelos recebeu na área um cruzamento rasteiro de Jack, ajeitou bem, rematou melhor ainda, um tiro forte e seco que Marchesín não podia parar. E o FC Porto viu-se de repente e inesperadamente a perder.

E a perder, não existiu reação, com o Rangers a controlar e a aumentar a vantagem aos 73' por Davis, num remate à entrada da área que embateu em Marcano e enganou Marchesín.

Com uma desvantagem surpreendente, viu-se então algum FC Porto, mas nunca organizado ou rápido ou perigoso o suficiente para sequer esboçar uma reviravolta, embora houvesse tempo para ela. O FC Porto esteve, simplesmente, sempre muito perdido no relvado do Ibrox, frente a um Rangers que nem no Dragão nem em casa mostrou ser exatamente um adversário complicado.

Em último lugar no grupo, ainda assim o FC Porto depende de si para continuar na Liga Europa e duas vitórias nos dois jogos que restam são como pão para a boca para a equipa. Mas depois deste espalhanço ao comprido, da estratégia falhada, dos jogadores lentos e sem criatividade, é preciso saber como e porque e quando e para onde ir. Neste momento, o FC Porto parece não saber.