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FC Porto

Um FC Porto deskoffienado

Pouco seguro na defesa e incipiente na hora de rematar à baliza, o FC Porto escorregou (1-1) em casa do Belenenses SAD, que jogou com as armas que tinha, nomeadamente a grande exibição do guarda-redes Hervé Koffi. Os dragões já estão a quatro pontos do Benfica

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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A estatística vale o que vale, mas Sérgio Conceição avisou: em casa, ou melhor, na antiga casa, no Restelo, o Belenenses sempre foi um rival tradicionalmente complicado para o FC Porto. E se nesta nova vida da equipa lisboeta, agora com um SAD por sufixo, o Belenenses ainda não tinha mostrado essa tal tendência para travar o FC Porto, ela chegou agora, no Jamor, um Jamor despido nas bancadas mas que a formação da casa fez por encher em campo, com uma equipa organizada a defender e perigosa na hora de aproveitar os erros do adversário, principalmente na 1.ª parte.

Por erros falamos de Marcano no golo do Belenenses, logo aos 14 minutos, com André Santos a aproveitar um mau alívio do central espanhol à entrada da área para rematar colocado, fora do alcance de Marchesín. Ou da perda de bola de Zé Luís apenas quatro minutos depois, que deu origem a mais um ataque rápido e ao remate perigoso de Licá. O ex-jogador do FC Porto que à meia-hora teve mais uma hipótese flagrante, em que valeu a mancha perfeita de Marchesín.

Se lá atrás faltou segurança, que o FC Porto pagou caro, à frente faltou discernimento, porque o FC Porto criou perigo, mas falhou sempre na hora de definir, exceção feita ao lance do golo anulado a Loum por fora de jogo, aos 22’. O golo, aos 31’, através de uma grande penalidade marcada por Alex Telles, premiou o trabalho daquele que foi sempre o jogador mais objetivo e intencional dos dragões, o mexicano Corona, varrido por Esgaio no lance que dá origem ao penálti. E na 2.ª parte os adversários foram-se sucedendo. Não só o relvado ficou mais pesado, como na baliza o burquinês Hervé Koffi foi brilhando.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

A face mais visível da importância do guardião para segurar o empate foi a grande defesa que tirou o golo a Sérgio Oliveira num livre aos 72’ ou a forma como cobriu a baliza com Zé Luís à frente aos 86’. Mas os vários lances que adivinhou, as saídas geralmente seguras, as bolas que limpou antes mesmo do perigo surgir, tudo isso tornou mais complicada a vida do FC Porto no Jamor.

Na 2.ª parte, o Belenenses praticamente abdicou do ataque e jogou com as suas armas, talvez nem todas elas de inatacável ética (as constantes paragens e os muitos amarelos mostrados são disso um exemplo), mas que se provaram eficazes. A verdade é que o FC Porto não teve a calma nem a limpeza de espírito para se abstrair, foi quase sempre incipiente na hora de rematar à baliza e teve ainda vários jogadores em claro sub-rendimento. E isso aí já não é culpa do rival.

São agora quatro os pontos de atraso para o Benfica, numa fase em que o FC Porto vinha de cinco vitórias consecutivas em todas as competições. Sérgio Conceição bem tinha avisado.