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FC Porto ainda jogou à roleta

A equipa de Sérgio Conceição ganhou ao Varzim por 2-1 e está nas meias-finais na Taça de Portugal. Mas a vitória esteve muito longe de ser segura, frente a um adversário da 2.ª Liga que nunca deixou de tentar a sua sorte

Lídia Paralta Gomes

Quality Sport Images/Getty

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A ideia seria o mais simples possível: mesmo com sete novidades no onze, a ordem era marcar, resolver cedo, reservar energias para o que aí vem, até porque o que aí vem chama-se Sp. Braga, já na sexta-feira, e o FC Porto não se pode dar ao luxo de perder pontos no campeonato neste momento.

Acontece que os planos, mesmo os mais simples, por vezes não funcionam com a suavidade que se deseja, mesmo quando estamos a falar de um jogo de Taça e frente a um adversário que anda pela 2.ª divisão. E o plano do FC Porto conviveu demasiadas vezes com a roleta, já que estamos a falar do Varzim, que é de terra de casino.

Porque num jogo em que não se pediam complicações, a equipa de Sérgio Conceição fê-lo, fosse pelo desacerto ou pela pura e simples apatia, que atacou boa parte do jogo do FC Porto, principalmente na 2.ª parte, em que o Varzim até se colocou algumas vezes em bicos de pés, não exatamente por ter qualidade ou destreza para assustar a equipa grande mas porque a equipa grande andou meio desaparecida, sem se preocupar em demasia com um resultado que dizia apenas 2-1 e não um número que trouxesse sossego.

Mas, jogando o FC Porto melhor ou pior, o resultado final acabou por ser mesmo aquele que veio da 1.ª parte, uns primeiros 45 minutos sem grandes situações e onde as grandes situações foram aproveitadas de parte a parte. Aos 28 minutos, naquela que foi a melhor jogada de futebol do jogo, Saravia conduziu pela direita, cruzou para o miolo onde Otávio fez um pouco de magia, ele que nem sequer tem grandes pozinhos de perlimpimpim nos pés: recebeu e, como se tivesse um par extra de olhos na nuca, deu de calcanhar para Soares, que com um pontapé rasteiro e em jeito bateu Isma.

Quality Sport Images/Getty

Poderia ser o prelúdio de uma vitória fácil do FC Porto, mas nada disso aconteceu. Nem 10 minutos passaram quando num livre direto o Varzim gelou ainda mais um frio Estádio do Dragão, não só na temperatura do ar como na temperatura dos poucos corpos que compareceram ao jogo. Hugo Gomes, num remate-bazuca, enganou Diogo Costa, que deu balanço para um lado quando a bola ia a velocidade supersónica para outro - talvez pudesse ter feito mais o miúdo das escolas dos dragões, mas àquela velocidade não dá para adivinhar.

Para lá do empate-surpresa, o Varzim tornava-se assim, em pleno janeiro, na primeira equipa portuguesa a marcar esta época no Dragão, um fraco consolo quando cinco minutos depois o FC Porto voltou à dianteira do marcador. Livre lateral e Sérgio Oliveira a provar que isto das bolas paradas não é só despejar para a área: o médio português viu bem a desmarcação de Marcano e a bola foi direitinha para o espaço onde a cabeça do central espanhol ia aparecer. E foi golo.

A 2.ª parte foi, e vamos evitar os paninhos quentes, penosa. A entrada de Alex Telles não deu nada ao ataque do FC Porto, ainda que tenha saído dos pés do brasileiro o único lance de algum perigo para a equipa da casa após o intervalo. Num livre direto, aos 88’.

De resto, muita lentidão e inconsequência a atacar e um Varzim sempre à espreita. Mesmo sem criar oportunidades, a bola rondou muito pela área de Diogo Costa durante a 2.ª parte. E jogar à roleta é muitas vezes isto, não ter intensidade ou criatividade para matar e meter-se a jeito para um lance fortuito que, sorte do FC Porto, acabou por não aparecer.

Agora vêm as meias-finais.