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São 11 contra 11 e no final resolve-se aos 11 metros

Quinze anos depois, o Sp. Braga foi ao Dragão ganhar (2-1), num encontro em que o FC Porto falhou duas grande penalidades e raramente conseguiu criar perigo para mais e os bracarenses foram inteligentes e eficazes. O 1.º lugar pode ficar agora ainda mais longe

Lídia Paralta Gomes

Quality Sport Images/Getty

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Traça-se uma linha entre dois postes, a meio faz-se uma reta, contam-se 11 metros e aí fica a marca de penálti. Parece ser o pontapé mais simples do Mundo: um jogador e à frente um guarda-redes a tentar guardar aquilo que parece sempre uma infinidade de espaço. Estatisticamente, a maior parte desses remates dão golo. Não muitas vezes, a bola não entra. E muito menos ainda a bola não entra duas vezes para a mesma equipa.

Mas foi isso que aconteceu esta sexta-feira à noite no Dragão. O FC Porto falhou duas grande penalidades, marcou um golo, o Sp. Braga marcou dois, e assim caiu a segunda derrota para a equipa de Sérgio Conceição, que começa a ver já ao longe o topo da tabela.

Aqueles dois remates falhados da marca dos 11 metros, um por Alex Telles aos 42 minutos, muito por culpa de Matheus que levantou a perna já em queda quando percebeu que a bola ia ao meio, e outro aos 55’ por Soares, que acertou na baliza, mas na sua parte feita de ferro, são um facto do qual não se pode fugir: são dois golos quase feitos que não entraram. Mas o FC Porto não perdeu por causa destes quase-golos-que-não-deram-golo. Perdeu porque nunca teve a intensidade ou a criatividade para dar conta de um Sp. Braga que chegou ao Dragão preparado para fazer um jogo inteligente. Rúben Amorim tem uma ideia de jogo e a ideia é clara. Mas frente ao FC Porto, o treinador não encartado soube ter a ginga necessária para adaptar a sua ideia às circunstâncias, para controlar os ritmos do jogo. Soube ser o dono da bola quando o FC Porto se perdeu, soube defender quando a iniciativa estava do outro lado, soube jogar em contra-ataque quando o adversário lhe deu oportunidade, soube quase sempre controlar as emoções. O futebol pode não ter sido brilhante, mas foi eficaz sem perder nunca a dignidade.

MIGUEL RIOPA/Getty

A primeira vitória do Sp. Braga no Dragão em 15 anos (a última havia sido em 2005, com Jesualdo no banco dos minhotos) começou a nascer bem cedo, logo aos 5 minutos. Na sequência de um canto, Trincão rematou à baliza, Danilo cortou e a bola sobrou para a recarga imediata de Fransérgio. O golo ainda chegou a ser anulado por posição irregular de Raul Silva, mas depois de analisar o VAR, Carlos Xistra reverteu a decisão.

O FC Porto reagiu mal ao golo e até aos 25 minutos o jogo foi do Sp. Braga: a defender com uma linha alta, muito rápidos na reação à perda, os bracarenses eram então quem mais bola tinha, embora faltasse criar perigo. A equipa da casa conseguiu aos poucos encontrar-se e a falta de Raul Silva sobre Corona aos 42 dava a Alex Telles a oportunidade de golo clara que estava a faltar em jogo corrido. Oportunidade essa desperdiçada pelo brasileiro.

Na 2.ª parte, o FC Porto entrou bem melhor mas a posse de bola raramente significava controlo. Numa das únicas jogadas em que a defesa do Sp. Braga foi apanhada de surpresa, Marega cruzou na direita e Soares meteu o joelho à frente de toda a gente para fazer o empate, aos 58’, meros três minutos de falhar a segunda grande penalidade da noite para os dragões.

MIGUEL RIOPA/Getty

Apesar da falta de oportunidades, merecia o empate o FC Porto, mais pelo o que o Sp. Braga não estava a conseguir fazer. Acontece que o Sp. Braga da posse e do futebol bonito também sabe ser pragmático e aos 75’, num canto, os minhotos colocaram-se de novo na frente. Bom movimento de Paulinho ao primeiro poste, Alex Telles a reagir tarde e 2-1 no marcador.

Após o golo do Sp. Braga, o FC Porto desapareceu. Desinspirado, sem ideias, sem soluções saídas do banco. Uma derrota a abrir a 1.ª volta e outra a fechar. E Rúben Amorim, em qualquer estilo, para já só sabe ganhar. Foram 11 contra 11 e no final resolveu-se aos 11 metros. Mas engane-se quem pense que o jogo foi só isso.