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Uma silver lining chamada Vítor Ferreira

Só há uma boa notícia para o FC Porto do empate frente ao Académico de Viseu (1-1) na 1.ª mão da meia-final da Taça de Portugal: um miúdo de 19 anos, que corre todo o meio-campo, que rouba bolas, que marca os ritmos, que escolhe os momentos e que não tem medo de rematar. Já não é pouco

Lídia Paralta Gomes

NUNO ANDRE FERREIRA/LUSA

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Por estes dias, o FC Porto está longe de ser uma equipa excitante. Há poucas ideias, quase nenhuma dinâmica, uma falta de intensidade estranha, não fosse essa a imagem de marca de Sérgio Conceição. De tal forma que o empate em Viseu (1-1), na 1.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal, é uma surpresa que não surpreende ninguém: com oito alterações no onze face ao último encontro, à já costumeira desinspiração o FC Porto juntou uma certa desconexão, normal quando se atiram tantas caras novas para um campo de bola.

Mas em quase todas as histórias que não acabam bem há uma silver lining, aquilo que os anglo-saxónicos chamam ao que de bom se tira de uma má experiência. E a silver lining desta noite cinzenta em pleno parque do Fontelo chama-se Vítor Ferreira.

O miúdo de 19 anos, único reforço do FC Porto para o que resta do campeonato, vindo da equipa B, foi uma espécie de candeia no meio de tantos homens perdidos. Foram aqueles pés que mais bolas roubaram, foram aqueles pés que, nos momentos bons, ditaram o ritmo, que andaram para a frente quando todos pareciam só conseguir andar para o lado. E foram daqueles pés que saíram as jogadas mais perigosas dos dragões. O FC Porto pode ter perdido a oportunidade de ir descansado para a 2.ª mão, no Dragão, mas é certo que ganhou um jogador.

Foi logo aos 3 minutos que Vítor Ferreira, que na camisola traz escrito Vitinha, disse ao que vinha: com um passe picado deixou Marega em frente à baliza do Ac. Viseu, mas o chapéu do maliano a Ricardo Fernandes saiu ao lado. O Académico partiu então para uns primeiros 20 minutos em que chegou a pôr o FC Porto em sentido, com a equipa de Sérgio Conceição a só reagir verdadeiramente já depois do intervalo, novamente com Vítor Ferreira como maestro e protagonista. Aos 59’, o miúdo roubou a bola a meio-campo, progrediu e no momento certo isolou Zé Luís, que rematou para golo. Um regresso aos festejos do avançado cabo-verdiano, que não marcava desde 2 de dezembro.

NUNO ANDRE FERREIRA/EPA

Demoraria pouco mais de 10 minutos o empate da equipa da casa, num lance em que João Mário aproveitou a desatenção de Mbemba e Saravia para subir mais alto e cabecear para golo. Sérgio Conceição colocou então alguns dos habituais titulares em campo, mas faltou sempre discernimento. Vítor Ferreira tentou o remate aos 76’, um tiro forte que Ricardo Fernandes teve de afastar a punhos, Nakajima esteve perto do golo aos 77’ e já em tempo de descontos, mais um pormenor de Vítor Ferreira, com um passe lateral, de dentro para fora, a isolar Saravia, que se deixou antecipar pelo guarda-redes. O jovem médio acabaria o jogo com impressionantes 14 recuperações de bola, uma assistência e duas outras ocasiões de golo criadas, além de dois remates enquadrados.

Vítor Ferreira foi a silver lining mas isso, como se viu no Fontelo, por vezes não chega para o FC Porto ganhar jogos. O aviso está feito: para chegar ao Jamor, o FC Porto não pode jogar a duas velocidades e deixar o peso da responsabilidade nos ombros de um miúdo que ainda agora se começou a treinar com os séniores.