Tribuna Expresso

Perfil

FC Porto

Pinto da Costa: "Nunca pedi nada a Rui Moreira, não devemos nada um ao outro. Se se tivesse candidatado, merecia o meu apoio"

Tem, pela primeira vez em 38 anos, dois adversários na corrida à presidência do FC Porto. Em entrevista ao "Jornal de Notícias", Jorge Nuno Pinto da Costa explicou os motivos que o levaram a recandidatar-se, elogiou Vítor Baía e, ao mesmo tempo, disse que seria "um erro" se o ex-guarda-redes se tivesse candidatado contra ele, porque nunca teve "experiência diretiva" no clube. Coisa da qual padece, também, Rui Moreira, mas que não lhe apontou, antes elogiando o atual presidente da Câmara Municipal do Porto: "É apenas uma comunhão de ideias. O passado e presente e o amor que tem à cidade e ao FC Porto falam por si"

Tribuna Expresso

FRANCISCO LEONG/Lusa

Partilhar

Os porquês da recandidatura

"Não me candidatar numa altura destas seria fugir à responsabilidade. Felizmente há outras candidaturas, mas há uma coisa que ninguém me pode acusar: de fugir à responsabilidade. Estou aqui para ajudar a resolver a situação e pôr o FC Porto livre de qualquer insucesso causado por esta pandemia. Podia ter sido cómodo dizer que já cá estou há 38 anos, que este é o clube que ganhou mais títulos e ir-me embora (...) Esperava, sinceramente, que aparecesse outro tipo de candidatos, com história e passado no clube, e aí sim poderia, eventualmente, não me recandidatar. Mas os que apareceram não me dão garantias, como associado, que consigam enfrentar esta situação tão delicada."

Quem daria um bom candidato então?

"Há nomes que foram falados como potenciais candidatos, que se avançassem não teria preocupação que pudessem ganhar. O António Oliveira é um deles, como o Vítor Baía, o André Villas-Boas ou o Rui Moreira. Qualquer um deles, se se candidatasse, seria prestigiante para o clube. Com eles estava tranquilo, não me candidatava, mas se o fizesse, sentia-me prestigiado em concorrer com pessoas que têm um passado no FC Porto."

Vítor Baía

"Via-o como um daqueles candidatos possíveis a assumir-se. Foi um grande atleta, um campeão e é um dos símbolos do FC Porto. Mas achava que se tivesse avançado com uma candidatura seria uma asneira. Ser candidato, sem ter tido experiência diretiva e conhecer profundamente o clube em todas as situações, teria sido um erro."

E Rui Moreira

"Se o Rui Moreira se tivesse candidatado, embora ele me tenha dito que não o faria, e que eu devia continuar neste período difícil, merecia o meu apoio e eu não avançava, não me teria candidatado. O passado e o presente e o amor que tem à cidade e ao FC Porto falam por si (...) Convidei-o para liderar a lista do Conselho Superior e não se escusou. Assumiu e fez questão de estar na apresentação da lista por convicção. Não devemos nada um ao outro. Nunca lhe pedi nada, nem me fez favores, e vice-versa. É apenas uma comunhão de ideias no amor a tudo o que é da cidade. E isso identifica-nos, além, claro, da paixão enorme pelo FC Porto".

A Cidade do Futebol para a formação

"Para avançar para a construção são precisas muitas formalidades e licenças, mas agora estamos em vias de poder avançar. Conto que daqui a três meses possamos começar, mas não posso garantir (...) A nossa formação é muito boa. Reconheço que a falta da academia nos atrasa em termos de instalações, mas em termos de resultados temos títulos, nomeadamente o europeu [UEFA Youth League], que ninguém tem em Portugal."

Sérgio Conceição

"Se ele quiser renovar, e espero que sim, será o meu treinador enquanto cá estiver. Entendo que é o treinador ideal para o FC Porto, pela sua capacidade, espírito, história e identificação com o clube. Não veio para aqui e identificou-se com o clube, como acontece com muitos. Ele é do clube."

Pedro Proença e a Liga de Clubes

"A intenção de alguns clubes é correr com o Proença para lá colocar Luís Duque. Deu-se uma coisa curiosa, de um presidente de um clube estar numa reunião com o Proença e o Luís Duque lhe ter telefonado a fazer campanha (...) Há uma grande luta de poderes entre a Federação e a Liga e os clubes estão a ser vítimas disso. É incompreensível esta guerrilha. Então o presidente da Liga não pode mandar uma carta ao Presidente da República? Mas porque é que se criou uma guerra a partir disso e se pediu a demissão de Pedro Proença? Ele foi eleito com 96% dos votos dos clubes. Foi à reunião do FC Porto, Sporting e Benfica com a Federação e o primeiro-ministro porque foi repescado. É tudo uma jogada para tentar enfraquecer o Proença.

(...) Todos os presidentes com quem tenho falado, e não apenas de clubes do Norte, acham que é insensato que, neste momento difícil, se a peça a demissão do presidente da Liga. "