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Nuno Lobo: "O FC Porto nos últimos anos demonstrou, financeiramente, uma inabilidade total. Responsável? Naturalmente, o gestor financeiro"

Tem 48 anos, é empresário de restauração e é um conhecido adepto portista que nunca escondeu a admiração por Pinto da Costa. Até agora. Pede mudanças

Isabel Paulo e Pedro Candeias

JOSÉ COELHO/Lusa

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Três candidatos para um lugar, inédito desde que Pinto da Costa foi eleito presidente do FC Porto há 38 anos, é um sinal de que algo vai mal no reino do Dragão?
É um sinal óbvio de mudança e de insatisfação, em muitos sócios, que não se reveem na continuação das mesmas pessoas que a Lista A apresentou. O sentimento de gratidão para com Pinto da Costa é inquestionável, mas com a atual e antiga administração nem pensar. O FC Porto nos últimos anos demonstrou, financeiramente, uma inabilidade total. Responsável? Naturalmente, o gestor financeiro. Quanto à parte jurídica, mantemos a nossa total desconfiança, já que o FC Porto não tem sido veementemente defendido, como deveria, face ao poder central. Se olharmos para a Lista A, temos um bínubo interessante: 80% são pessoas ligadas à política, que ajudaram nos últimos anos a enfraquecer o clube, face ao poder central. Os restantes 20% referem-se à gestão financeira do clube.
O último Relatório e Contas apresentou €52 milhões de prejuízos.

Como pensa inverter a situação de falência técnica da SAD?
O nosso programa tem 250 propostas para concretizar em 4 anos: captar sócios; aumentar receitas de sponsorização; merchandising; auditoria de gestão (não forense) conducente a redução de custos estruturais; promoção de candidaturas aos quadros comunitários.

Concorda com a retoma competitiva ou o FC Porto deveria ter sido declarado campeão nacional?
Ninguém estaria a discutir a retoma se a FPF tivesse 130 milhões para compensar os três grandes clubes. Nunca gostei de ganhar na secretaria, tendo consciência que, se o FC Porto estivesse um ponto atrás o clube da 2ª Circular era campeão. Depois desta trapalhada em que meteram o futebol nacional (vouchers, e-mails, toupeiras, etc., etc.), sem fim à vista, até acredito que para eles tanto faz... já que são tantos ganhos na secretaria que era mais um...

Vítor Baía é uma mais-valia na estrutura dirigente portista? E Rui Moreira no Conselho Superior?
Quanto ao Baía, apesar de ser atirado “para a fogueira,” num contexto eleitoral, acredito que terá dificuldades em lidar com algumas questões do futebol. Já no caso do presidente da Câmara Municipal do Porto, vai ter de “fazer uma perninha” nos outros clubes da cidade, porque a sua postura institucional, no mínimo, deveria obrigar à sua imparcialidade.

Vai mexer na remuneração fixa dos administradores da SAD?
Três milhões de euros numa empresa moderna devem ser atribuídos em função dos resultados estabelecidos previamente. Parece-me despropositado, uma administração sem resultados, auferir prémios. São, para mim, valores exorbitantes e se for eleito uma das propostas aos acionistas é que parte deste dinheiro seja investido nas modalidades. Já definimos entre os vice-presidentes estratégias de investimento.