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Rui Moreira não renega corrida à presidência do FC Porto

Presidente da Câmara do Porto diz que a seu tempo anunciará se vai a votos a um terceiro mandato autárquico. Nega a ambição de se candidatar à Presidência da República, mas não afasta concorrer à liderança do FC Porto, cargo que diz não ser contudo uma obsessão. Em entrevista à Antena 1, Rui Moreira defende que é um mau modelo a municipalização das CCDR

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Em entrevista à Antena 1, Rui Moreira voltou, nesta terça-feira, a não abrir o jogo sobre uma terceira candidatura à presidência da Câmara do Porto. Depois de nas últimas autárquicas ter antecipado que este seria o seu último mandato, o suspense é agora justificado com a nova realidade provocada pela pandemia e ainda com o atraso em obras estruturantes, entre as quais a da requalificação do Matadouro de Campanhã, projeto que derrapou dois anos devido à falta de visto do Tribunal de Contas.

Eleito membro do Conselho Superior na lista de Pinto da Costa, o autarca deixa entreaberta a porta de um dia vir a presidir ao FC Porto, embora lembre que o clube está “bem entregue” para os próximos quatro anos, lapso temporal que diz ser uma eternidade, quando questionado se sonha suceder ao eterno líder portista. “Quando deixar a Câmara quero ter mais tempo para os filhos e netos, viajar e escrever”, afirma Moreira, sem renegar, contudo, uma possível corrida à presidência do FC Porto, mesmo que não seja “uma obsessão”.

Às críticas de Ana Gomes e do presidente do Benfica sobre a falta de transparência de acumular cargos no FC Porto e na Câmara, Rui Moreira rebate qualquer tipo de incompatibilidade, ao lembrar que foi eleito para um conselho consultivo num clube“ eclético e importante para a cidade”, função que adverte “não é remunerada” nem executiva. “A Câmara do Porto participa nas fundações de Serralves e Casa da Música, e numa instituição como o FC Porto esta participação deveria ser quase por inerência”.

“Mal de nós que uma pessoa que se dedique à causa pública não se possa exercer os seus direitos e liberdades de cidadão. O que nunca aconteceu comigo foi ter pessoas do futebol na sua lista ou a fazer campanhas políticas”, frisou, afastando a eventual promiscuidade política: “Promiscuidade é uma coisa que se esconde, e eu nunca escondi que gosto do futebol, do FC Porto e sou sócio do Boavista e do Estrela e Vigorosa”.

Questionado sobre os custos da pandemia para a cidade, o autarca independente afiança não ter ainda feito as contas ao impacto da crise, sublinhando que, além do investimento feito para estancar o surto ou com a compra de ventiladores à China, ainda falta avaliar a quebra de receitas num município que esteve no epicentro da covid-19. Convidado a avaliar o seu trabalho durante o surto, Rui Moreira recusou-se a fazê-lo, preferindo eleger como “campeões” os portuenses que voluntariamente cumpriram as regras de confinamento.

À pergunta se a sua popularidade aumentou com a forma pro-ativa como a Câmara do Porto lidou com o surto, Moreira respondeu que numa fez um estudo de popularidade em sete anos de mandato, garantindo que a “popularidade vê-se nas urnas”, como aconteceu nas primeiras eleições em que não era favorito ou nas segundas “em que a uma semana das eleições era dado como derrotado”.

Autarca recusa que se faça da TAP “um Novo Banco”

Após ter acusado a administração da TAP de querer impor “um confinamento ao Porto e ao Norte”, o autarca afirma agora desconhecer qual o plano do Governo para a reestruturação da companhia de bandeira portuguesa, mas volta a avisar que, “se é para ser uma micro companhia” o país “não pode lá pôr mil milhões de euros”, e que só faz sentido o investimento da Comissão Europeia se for para promover também a economia e turismo no Porto. “Se o dinheiro dos contribuintes for para obedecer a um desígnio estratégico nacional faz sentido, se for para fazer um Novo Banco não vale a pena”, assegura, titulando de “história triste” o resgate do sistema bancário.

Para Rui Moreira, Mário Centeno foi um “ótimo ministro” e, embora não se pronuncie sobre a sua possível ida para o Banco de Portugal, sustenta que não entende que se “faça leis à medida” para o impedir, situação que diz não ser democrática.

Por último, o autarca eleito pelo 'Porto, o Nosso Partido' rejeita que o novo modelo eleitoral para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) seja um processo de aceleração da regionalização: “A eleição através de um colégio eleitoral de vereadores e presidentes de junta de freguesias, com um terceiro dirigente nomeado pelo Governo, não é regionalização, é a municipalização das CCDRs”. Rui Moreira critica ainda a exclusão das academias do referido colégio eleitoral, advertindo que é “um mau princípio” que um terceiro dirigente seja nomeado diretamente pelo Governo. A manter-se o figurino recém-anunciado, o autarca afirma que se “corre o risco” de os próximos candidatos a líderes das CCDRs serem “decididos pelos diretórios partidários”.