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Uma Corona para o rei

O FC Porto venceu o Tondela por 3-1, num jogo em que sofreu no final e com o mexicano, mais uma vez, como o homem desequilibrador. Aconteça o que acontecer ao FC Porto, que até pode ser campeão esta noite, esta será sempre a temporada da definitiva maturidade de Tecatito Corona

Lídia Paralta Gomes

PAULO NOVAIS/POOL/EPA

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À hora que se escreve esta crónica, o FC Porto ainda não é campeão, mas poderá muito bem sê-lo ainda esta quinta-feira. Se não for esta quinta-feira, poderá muito bem sê-lo em breve, mais jornada, menos jornada. Bem, em qualquer uma das situações, se e quando o FC Porto se tornar campeão, este também será o campeonato de Tecatito Corona.

Esta quinta-feira, em Tondela, Corona nem sequer marcou um dos três golos da sua equipa. Mas aquela assistência, que será a única coisa que lhe vai aparecer na estatística, é apenas um pormenor em mais um jogo em que o mexicano foi aquilo que tem sido quase sempre ao longo da época para o FC Porto: o jogador que mais fez a diferença. Pelo que joga, pelo que faz jogar, pela competência que mostrou nas sei lá quantas posições por onde se passeou este ano, seja nas alas ou em terrenos mais nucleares.

Este será, portanto, e aconteça o que acontecer, o ano da definitiva maturidade de um jogador que até esta temporada ia variando momentos de grande talento com uma espécie de apatia pendular - esse Corona já não mora aqui.

Mesmo dentro de um FC Porto que esta época tantas vezes coletivamente foi um bocejo, Corona foi uma espécie de voz da razão. Logo na 1.ª parte, foi dele que saiu o cruzamento para Marega, sozinho, cabecear à figura de Niasse, que depois ainda evitou a recarga de Soares.

E da 1.ª parte do Tondela - FC Porto, diga-se, é isto que há a contar.

Logo após o regresso do intervalo, um erro na saída a um canto do guarda-redes do Tondela permitiu a Danilo fazer à vontade o 1-0, um golo que descansou o FC Porto e fez surgir a melhor fase da equipa, muito às custas de Corona. Aos 64’, Marega ganhou a bola ainda bem dentro do meio-campo defensivo do FC Porto e foi lá à frente buscar o passe na profundidade de Corona, rápido a pensar, excelente na execução. Em frente a Niasse, Marega só precisou de escolher o lado.

FILIPE AMORIM/Getty

Parecia assim caminhar a noite para o descanso portista, talvez um descanso até mais dilatado, quisessem assim os desequilíbrios de Corona, uns furos acima de toda a gente esta noite em Tondela. Mas aos 77’ Uribe fez uma asneira, uma falta na área desnecessária, Ronan fez o 2-1 e, de repente, o FC Porto perdeu o controlo do jogo. Com homens frescos na frente, a equipa da casa foi à procura do empate e aos 87’ só a atenção de Marchesín evitou o pior para o FC Porto, quando Strkalj apareceu frente a frente com o argentino.

E seria já de coração nas mãos que nova grande penalidade veio para trazer o descanso à equipa de Sérgio Conceição, mas também mais uma questão para resolver.

Vamos por partes: Marega caiu na área, o árbitro considerou empurrão nas costas do maliano, o maliano pegou na bola para marcar o penálti, mas Conceição quis que o remate fosse para o miúdo Fábio Vieira. Marega não gostou e chutou a bola para o mais longe que conseguiu. O miúdo marcou, tranquilizou o FC Porto, mas Marega desapareceu, alheou-se do jogo, como uma criança birrenta a quem alguém tirou um brinquedo.

Casos de indisciplina à parte, o FC Porto venceu, espera agora os ventos que vêm de Famalicão, Corona trouxe o talento, mas o golo do Tondela trouxe tremeliques. Um FC Porto paradoxal, como paradoxal será sempre este campeonato. Com o mexicano, muito provavelmente, como rei.