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Ultrapassagens pela direita

A reviravolta do Sp. Braga frente ao FC Porto (2-1) acabou por ser mais do que uma reviravolta: foi uma dupla ultrapassagem pela direita, que levará os minhotos diretamente para a fase de grupos da Liga Europa, depois de garantido o 3.º lugar na Liga - com ajuda do Sporting na Luz, claro. Depois de uma 1.ª parte em que o FC Porto foi a equipa dominadora que muitas vezes não conseguiu ser ao longo do campeonato, o Sp. Braga respondeu com uns últimos 40 minutos incisivos, intensos. Com recompensa no final

Lídia Paralta Gomes

Octavio Passos/Getty

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É possível que aí pelas 21h35, quando havia 20 minutos na Pedreira e 20 minutos na Luz, na cabeça de todos nós a coisa estivesse mais ou menos resolvida: em Braga, o FC Porto ganhava por 1-0 e jogava bem, na Luz ainda não havia golos e o Sporting até tinha começado melhor.

É claro que em 20 minutos de jogo nada se resolve e, vamos agora esquecer um bocadinho o que se passou em Lisboa, nisso o Sp. Braga tem muito mérito nesta noite em que 70 minutos de jogo depois estava no 3.º lugar do campeonato e na fase de grupos da Liga Europa. Tem mérito na forma como virou a história de um jogo que o FC Porto dominou por completo até aos 50 minutos, altura em que as mudanças feitas por Artur Jorge ao intervalo (logo duas de uma assentada) começaram a fazer efeito. Aos 54’, pouco depois do Sp. Braga fazer as primeiras viagens de prospecção até à baliza do FC Porto, Ricardo Horta rematou à entrada da área, um remate cheio, de primeira, na recarga a uma bola rechaçada pela defesa do FC Porto, e um subtil toque enganou Diogo Costa.

Ficava assim empatado um jogo em que na 1.ª parte o FC Porto voltou a jogar algum do melhor futebol da época, como se o título tivesse tirado de cima destes jogadores um peso inestimável. Ajuda não ter pressão, claro, e ajudará também marcar cedo: aos 7’ já Uribe tinha colocado a equipa de Sérgio Conceição a ganhar, mas mais que o golo per se o que impressionava era o futebol de entendimento coletivo que o FC Porto ia apresentando, algo que não foi propriamente a imagem de marca da equipa ao longo do ano. Na jogada do golo, Corona recebeu na direita, foi à linha, passou atrasado e Luis Díaz teve a inteligência de deixar passar a bola para o compatriota, que entre colocar a bola na baliza e escapar-se a um adversário, lesionou-se, aparentemente, com alguma gravidade.

Mesmo com alguma dificuldade em definir, durante a 1.ª parte a bola foi só do FC Porto, com Luis Díaz, Otávio e Corona a encherem o meio-campo com combinações, desmarcações, abertura, enfim, o baralho completo. Aos 47’ mais uma grande jogada terminaria com a bola na baliza de Matheus: Corona desmarcou Soares que na direita cruzou para Sérgio Oliveira, sozinho no poste mais afastado. Mas, no momento do passe de Corona, o avançado brasileiro estava adiantado.

MIGUEL RIOPA/Getty

Após o intervalo o FC Porto continuou de bem com o jogo. Aos 48’, Corona e Otávio repetiram um bom entendimento que já vinha do jogo com o Moreirense, com o brasileiro a deixar na área para Zé Luís. O remate acrobático do cabo-verdiano falhou, mas era só mais um bom momento com bola do FC Porto, que parecia tranquilo, seguro, ainda que não intenso.

Mas aos 54’ o mais velho dos Horta marcou, no minuto antes Luis Díaz tinha saído e tudo mudou a partir desses dois acontecimentos que, em si, nada tiveram que ver um com o outro. Aos 59’, Diogo Costa opôs-se bem a um remate de Paulinho e voltaria a brilhar no minuto seguinte, num lance com Fransérgio. Do nada, o Sp. Braga até aí inofensivo, tomou conta da bola, dos espaços, do jogo. O FC Porto eclipsou-se.

Aos 66’, surgiria talvez o golo mais importante do ano para o Sp. Braga, quanto mais não seja porque vai permitir aos minhotos terem mais uns dias de férias - neste 2020, estar mais fresco e ter mais tempo de preparação poderá fazer toda a diferença e é possível que o Sporting venha a lamentar, e muito, este 25 de julho de 2020. Fransérgio, o homem que foi o grande conector do jogo do Sp. Braga quando foi preciso agarrar no jogo, rematou ao poste num primeiro momento, num remate rasteiro, ainda fora da área. Como que não contente com aquele desfecho, o poste devolveu a bola ao Sp. Braga, uma segunda oportunidade que o brasileiro não recusou. Vendo-se novamente com ela, o segundo remate já não foi ao poste.

E assim, de uma assentada, o Sp. Braga ultrapassava FC Porto e Sporting pela direita. Os dragões no jogo, os leões na tabela. Durante uns minutos, quando Sporar fez o empate em Lisboa, o esforço do Sp. Braga pareceu inglório, mas novo golo do Benfica faria da noite deste sábado uma noite de festa na Pedreira.